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ESPECIAL -
ALEF: você lê, todo mundo
lê !
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Costumes brasileiros “importados”
do judaísmo
Nelson Menda
É um privilégio poder viver em um país sem furacões, terremotos
ou vulcões. Em uma nação gigantesca e extremamente fértil, considerada o verdadeiro celeiro da humanidade. Que consegue agregar
à maior floresta tropical do mundo suas imensas reservas submarinas de petróleo, fato que a torna auto-suficiente em uma época
de escassez dessa preciosa e limitada fonte de energia. Que possui incomensuráveis mananciais de água doce, o petróleo do
amanhã, tanto na superfície quanto no subsolo. Que apresenta um extenso litoral, com 8.000 quilômetros de praias, algumas
delas de cair o queixo. Um país que se orgulha em ostentar o título de maior nação cristã do mundo, desde o seu descobrimento
pelos portugueses, católicos apostólicos romanos, há cinco séculos. Êpa, eu disse católicos apostólicos romanos? Peço desculpas
aos leitores e à imensa legião de cristãos do país, mas acho que me equivoquei nesse último tópico. E já explico o porquê.
A ERA DOS DESCOBRIMENTOS Apenas três anos
antes do descobrimento do Brasil o número de judeus em Portugal ultrapassava a casa dos 10% da população. Cem mil judeus expulsos
da Espanha em 1492 tinham procurado refúgio no país vizinho, pela própria proximidade geográfica, vindo se somar à já existente
e próspera coletividade israelita do país. Portugal, à época, tinha uma população estimada em um milhão de habitantes. Por
volta de 1496, quatro anos após a chegada dessa numerosa e qualificada leva migratória à terrinha, D. Manuel, o Venturoso,
tido como “muy amigo” dos judeus, pediu a mão da filha dos Reis de Espanha, Isabel e Fernando, cujos nomes provocam,
até hoje, arrepios em muitos sefaradis. A princesa, que não era esbelta nem esperta, foi buscar orientação com seu confessor,
o temível Torquemada, que proibiu terminantemente sua entrada em solo português enquanto existissem judeus no país. D. Manuel
estava em uma sinuca de bico. Por um lado, precisava dos judeus, alfabetizados, cultos, poliglotas, em cujo seio era possível
encontrar médicos, astrônomos, tradutores e artesãos experientes no manejo do couro e dos metais, em uma época em que Portugal
se lançava aos grandes descobrimentos marítimos e precisava dessa mão de obra altamente qualificada. Por outro, o soberano
português temia, com justa razão, a presença ao seu lado de uma Espanha militarizada e agressiva que acabara de conquistar
a Andaluzia aos árabes e expulsar os judeus do país. Espanha essa que possuía população e território muitas vezes superior
ao de Portugal, um pequeno país espremido entre o mar e seu nada amistoso vizinho.
BATISMO EM PÉ Com esse casamento, D. Manuel
esperava matar dois coelhos de uma só vez. Além de constituir família e garantir a continuidade da sua dinastia, afastava,
pelo menos momentaneamente, a ameaça de uma anexação de Portugal pela Espanha. Todavia, como resolver a delicada questão dos
judeus, de que ele tanto precisava? No domingo de Ramos de 1497 D. Manuel convidou os israelitas da capital portuguesa para
um grande encontro na Praça do Comércio, bem em frente ao Tejo, com a promessa de que embarcariam em navios que os levariam
à Terra Santa, sonho da imensa maioria dos judeus ibéricos. Ao mesmo tempo, em segredo, convocou o maior número possível de
padres, a quem foi distribuída uma grande quantidade da assim chamada água benta, no episódio conhecido como “batismo
em pé”. Enquanto os religiosos católicos aspergiam a água dita santa sobre a multidão que se acotovelava no cais, D.
Manuel, feliz da vida, enviava seu emissário à corte espanhola para avisar que não havia mais judeus em Portugal, só cristãos.
E os judeus, olhos fixos no horizonte, “ficaram a ver navios”, pois além de ludibriados com a falsa promessa da
viagem à Terra Prometida, ainda tinham sido convertidos, contra a vontade, em cristãos. Cristãos de segunda classe, diga-se
de passagem, pois estavam proibidos de ocupar cargos no governo, no clero e na oficialidade militar. Esse lamentável episódio
se, por um lado, evidenciou uma atitude de total desrespeito à liberdade religiosa em relação a uma parcela ponderável da
população, por outro serviu para deixar uma marca indelével e inequívoca da presença judaica na formação do inconsciente coletivo
de portugueses e brasileiros, o que pode ser constatado ao se analisar certos hábitos, muitos provérbios e até mesmo algumas
estranhas superstições que se incorporaram à nossa maneira de ser. A própria expressão “ficar a ver navios”, para
citar um exemplo, acabou sendo agregada ao vocabulário popular, servindo para designar uma situação de promessa não cumprida,
de enganação, de desejo frustrado. Teria sido esse “ficar a ver navios” a única evidência da presença judaica
no dia-a-dia da população luso-brasileira, de suposta maioria cristã? Claro que não e o objetivo deste artigo é exatamente
o de utilizar artifícios freudianos para resgatar, dos profundos e nebulosos meandros do inconsciente para o estado de consciência
plena, uma série de fatos que evidenciam, de forma cabal e inequívoca, a forte presença judaica nos hábitos da população brasileira.
“PÃO-DURISMO MINEIRO”: MITO OU REALIDADE? Os
judeus participaram de todos os ciclos da economia brasileira, inclusive o do ouro e pedras preciosas das Minas Gerais. Obrigados
a se manter no anonimato, para não serem denunciados à Inquisição e ao mesmo tempo preocupados em seguir as regras dietéticas
da kashrut (1), desenvolveram um mobiliário que permitia agradar a gregos e troianos, que é a famosa “mesa com gavetas”
dos mineiros. Em que consistia? Muito simples: as mesas das cozinhas e copas onde eram realizadas as refeições dispunham de
gavetas estrategicamente dispostas no lugar onde os comensais deveriam sentar. A cada refeição, eram preparados dois pratos
para cada pessoa. Um, taref (2), para inglês ver, no caso de chegar alguma visita inesperada, composto pelos alimentos habituais
da cozinha mineira, como lingüiça, torresmo, leitão e outros quitutes que, além de seu elevado teor calórico, eram proibidos
aos judeus. O outro prato continha os alimentos preparados segundo a tradição judaica de não misturar carne com leite e derivados,
de evitar a ingestão de crustáceos e peixes sem escamas e uma série de outras recomendações, especialmente a de não consumir
carne ou gordura de porco. E era um tal de bota e tira os pratos nas tais gavetas a cada aproximação de um estranho que o
zé povinho acabou forjando a lenda de que os mineiros eram pão-duros, pois preparavam dois tipos de comida. Uma, de melhor
qualidade e sabor, para o pessoal da casa e outra, mais simples, para o caso de chegar uma visita inesperada.
O FESTIVAL DA ALHEIRA Quem freqüenta, no
Rio, as sinagogas Shel Guemilut ou ARI, já teve a oportunidade de passar pela frente de um tradicional restaurante português
localizado nas proximidades. Esse estabelecimento costuma realizar, todos os anos, um “Festival da Alheira”, ansiosamente
aguardado pelos apreciadores da boa mesa. Mas afinal, o que vem a ser a alheira? Uma das evidências para um judeu ser denunciado
à Inquisição era o fato de não comer carne suína, especialmente os embutidos com ela preparados, como o presunto, os salames
e as lingüiças. Uma casa portuguesa genuinamente cristã deveria exibir, penduradas e à vista de todos, fieiras de embutidos
de porco preparados com essa carne considerada impura pelas leis dietéticas judaicas. Os israelitas portugueses, especialmente
das regiões da Beira Alta e Trás os Montes, logo se deram conta do risco que corriam ao não exibir essa tradicional –
e proibida – iguaria no entorno de suas casas. Criaram uma falsa lingüiça que, ao invés do porco utilizava carne de
gado. No lugar do toucinho, de cor branca, colocavam nacos de pão e, para mascarar o cheiro, folhas de um arbusto da região
de nome alheira que possuía um forte odor, semelhante ao do alho. Além de afastada a razão para uma possível denúncia, estava
criado um novo e delicioso prato, que até hoje faz a festa em muitas casas e estabelecimentos especializados em culinária
regional portuguesa. Mas atenção, antes de pedir uma alheira em um restaurante de comida portuguesa, bata um papo com o maitre
a respeito do seu conteúdo, pois muitos fabricantes do produto, desinformados sobre a origem e o valor histórico da iguaria,
acabaram substituindo a carne bovina por... adivinhe... nada mais nada menos do que... porco.
PASSAR A MÃO NA CABEÇA Quem já não ouviu
ou pronunciou a expressão “passar a mão na cabeça”, que significa proteger ou mesmo fazer vista grossa para um
determinado fato?. Se o leitor suspeita que essa frase esteja relacionada ao ato judaico de abençoar alguém colocando as duas
mãos sobre sua cabeça ao mesmo tempo em que se pronuncia uma breve oração em hebraico, está redondamente acertado. É mais
uma prova da influência judaica na cultura popular brasileira.
VESTIR A CARAPUÇA É uma expressão com origem
trágica, pois remonta ao obscuro período da Inquisição em que os condenados eram obrigados a vestir trajes ridículos ao comparecer
aos julgamentos e Autos de Fé. Além do sambenito, túnica com o formato de um poncho, precisavam colocar sobre a cabeça um
longo e ponteagudo chapéu, conhecido como carapuça. A frase “vestir a carapuça” acabou sendo incorporada ao português
escrito e falado com o sentido de “assumir a culpa”.
NÃO APONTAR PARA AS ESTRELAS Apontar para
uma estrela, segundo o conceito popular, poderia causar o surgimento de uma verruga na extremidade do dedo infrator. Qual
a origem dessa crendice? É fácil de entender. O calendário judaico é regido pela lua e o despontar da primeira estrela marca
o início de um novo dia, especialmente se esse dia for o Shabat (3). Antes da expulsão da Espanha de 1492 e da conversão forçada
de Portugal de 1497 era comum que as crianças judias, ao entardecer das sextas-feiras, ficassem procurando no firmamento o
brilho da primeira estrela, indicativa da chegada de um dia muito especial. Era a Estrela D’Alva, também conhecida como
Vésper, mas que, na realidade, não é exatamente uma estrela, mas sim o Planeta Vênus, que por brilhar com mais intensidade
se destaca dos outros corpos celestes. Quem apontasse primeiro provavelmente ganharia a admiração dos mais velhos e, quem
sabe até, algum presente. De uma hora para outra esse gesto simples passou a ser denunciador da condição judaica e a primeira
coisa que as precavidas mamães fizeram foi assustar seus filhos com a possibilidade do surgimento de uma baita verruga na
ponta do dedo. A Inquisição, felizmente, já acabou há bastante tempo, mas a crendice ainda persiste em muitas regiões desse
imenso país. Por isso, não se preocupe quando vir uma criança ou adulto apontando para o céu. Mesmo porque já se sabe que
as verrugas são causadas por vírus e os dermatologistas dispõem de eficazes tratamentos para erradicá-las.
OFERECER A BEBIDA AO SANTO É comum em muitos
bares e botequins de norte a sul do Brasil despejar no chão o primeiro gole de aguardente, em sinal de respeito “ao
santo”. Qual o santo? Nada mais nada menos do que o nosso conhecido Eliyahu Hanavi (4), o Profeta Elias da tradição
judaica. Nas mesas do Seder (5) de Pessach (6) é costume reservar um lugar para o Profeta, colocando-se um prato, talheres
e um cálice com o delicioso vinho adocicado especialmente preparado para a ocasião. Ninguém toca nesse cálice, reservado para
Elias. Diz-se que, a cada ano, ele faz uma visita a todos os lares judaicos durante o Pessach e não ficaria bem encontrar
seu cálice sem o precioso líquido. Com as perseguições aos judeus, começou a ficar perigoso mencionar o nome de Elias, que
passou a ser chamado de “santo”. De profeta para santo e de vinho para pinga foi um pulo.
COVA DE SETE PALMOS DE FUNDURA O grande
escritor e poeta João Cabral de Melo Neto imortalizou nos versos de “Morte e Vida Severina” a estrofe que fala
de uma cova com sete palmos de fundura. É uma tradição 100% nordestina envolver as pessoas falecidas em uma mortalha de linho,
sepultando-a em cova preparada em terra virgem com a profundidade de sete palmos. Também fazia parte da tradição judaica ibérica,
por ocasião da morte de um ente querido, ao invés de sepultá-lo em um caixão, revestir seu corpo em uma mortalha confeccionada
com algodão ou linho e enterrá-lo em uma cova escavada igualmente em terra virgem e com os mesmíssimos sete palmos de profundidade.
Os homens costumavam ser sepultados envoltos no seu talit (7), manto com franjas utilizado durante as cerimônias religiosas.
Coincidência? Nada disso. O Nordeste foi colonizado por judeus, gente!
ACENDER VELAS PARA AS ALMAS A cerimônia
doméstica do Shabat tem início logo após a dona da casa ter acendido as duas velas do candelabro ritual e pronunciado a benção
própria para a ocasião. Quando isso acontece? Um pouco antes do pôr do sol das sextas-feiras. Como driblar os olheiros da
Inquisição? Acendendo velas “para as almas”, além das sextas, também às segundas-feiras. Pronto, estava resolvido
o problema. O acendimento das segundas-feiras era só para despistar e o das sextas para valer. A moda de acender velas duas
vezes na semana pegou. Para felicidade das almas e dos fabricantes de velas.
DIA NACIONAL DA FAXINA Em que dia da semana
os brasileiros costumam fazer a faxina e trocar a roupa de cama e banho de suas casas? Pense bem antes de responder: às segundas,
terças, quartas ou quintas-feiras? Não acertou? Isso mesmo, pois todos sabem que o dia nacional consagrado à faxina é às sextas-feiras.
Você já questionou o porquê desse dia? Será que não tem algo a ver com a preparação para o Shabat, que, por uma estranha coincidência,
também acontece ao entardecer das sextas-feiras? Mais uma coincidência? Não, tudo a ver com um país que foi descoberto e colonizado
por israelitas, que precisaram esconder essa condição durante muitos séculos para não serem denunciados, perseguidos, torturados
e mortos pela Inquisição, mas que conseguiram transmitir para o restante da população uma série de costumes, provérbios e
princípios que hoje em dia estão intimamente ligados ao próprio estilo de vida do povo brasileiro, ao qual os judeus, juntamente
com os católicos, protestantes, muçulmanos, evangélicos, espíritas, budistas, umbandistas e agnósticos fazem questão, com
muita honra, de pertencer.
(1)- Kashrut – Lei dietética judaica (2)-
Taref – Alimento impróprio para consumo pela lei dietética judaica (3)- Shabat – Dia sagrado dos judeus, que
vai do entardecer das sextas-feiras ao mesmo período do dia seguinte (4)- Eliyahu Hanavi – Nome hebraico do Profeta
Elias (5)- Seder – Mesa cerimonial para a celebração do Pessach, a Páscoa Judaica (6)- Pessach – Celebração
festiva da libertação dos Judeus do jugo egípcio (7)- Talit – Manto cerimonial utilizado pelos homens no Shabat e
datas festivas |
Jamais existiu um menino chamado João
Hélio
Israel Blajberg, professor da UFF
Estamos em 2067. Após o trauma imposto à sociedade 60 anos antes,
a pena de morte fora adotada no Brasil, acabando-se também com a impunidade para os "di menor" pela eliminação da idade penal.
Entretanto, setores radicais tem alegado absurdamente que jamais existiu um menino chamado João Helio, e que seu martírio
sendo arrastado pelas ruas por um carro roubado era pura invenção. Já outros negacionistas e revisionistas são menos drásticos,
admitindo que poderia ter ocorrido o fato, mas que João Helio apenas foi arrastado por alguns metros, e não como a mídia controlada
por outros interesses costuma propalar. Inclusive um simpósio foi realizado, convocando-se diversos historiadores que tem
pesquisado aqueles remotos acontecimentos de 2007, contando até com a participação de freqüentadores do mesmo templo da família
de João Helio. Parece absurdo? Nem tanto. Há 60 anos, 1.500.000 Joões Hélios também sofreram um mesmo martírio. É muito
difícil para alguém avaliar a dor dos pais daquela criança inocente, e mesmo de pessoas estranhas que se chocaram com a tragédia.
Que dizer então do Holocausto, onde uma palavra teve que ser emprestada do dicionário, o seu sentido literal de sacrifício
transferido para tentar representar o que aconteceu a 6 milhões de seres humanos assassinados brutalmente pela Alemanha Nazista,
dos quais um milhão e meio de crianças? É portanto impossível avaliar o que significa a dor de um milhão e meio de crianças
mortas por métodos hediondos. Nenhuma unidade de dor se é que pudesse ser criada teria capacidade de dar a percepção exata.
Famílias inteiras desapareceram, em muitos casos cidades inteiras, não restando ninguém para lamentar a perda de cada um daqueles
Joões Hélios desaparecidos no Holocausto.
"Há 60 anos, 1.500.000 Joões
Hélios também sofreram um mesmo martírio. Famílias inteiras desapareceram, em muitos casos cidades inteiras, não restando
ninguém para lamentar a perda de cada um daqueles Joões Hélios desaparecidos no Holocausto"
O martírio do pequeno João Helio pode ser um divisor de águas
para a sociedade brasileira. A história é plena de exemplos de acontecimentos isolados mas traumáticos que desencadearam novos
rumos para nações, até para toda a Humanidade. Testemunhamos uma senhora descrevendo para quem quisesse ouvir qual seria o
castigo merecido para os bárbaros carrascos de João Hélio. Missas e demonstrações estão sendo organizadas, enquanto não chega
o Carnaval. Em março teremos a medida do quanto pode a opinião publica, nesse episodio tão chocante. Mas o mundo não protestou
com a mesma veemência durante os sinistros anos de 1939 a 1945, quando outros 1.500.000 pequenos mártires foram para o céu,
aos quais num dia remoto no futuro 6 décadas depois infelizmente iria se juntar a eles o pequeno João Helio.
"João Hélio pelo menos pôde
ter uma sepultura, ao contrário dos mártires do Holocausto, cujas cinzas restaram espalhadas pelos campos da morte na
Europa"
Almas puras, inocentes. Seria o caso de perguntar, como o
fez o Santo Papa referindo-se ao Holocausto, onde estava o Todo Poderoso quando alguns bandidos realizaram aquele fatídico
assalto? O destino foi cruel para uma pequena vida ainda no início, marcando indelevelmente os pais, irmã e familiares. O
acontecimento terrível talvez transforme o próprio tumulo da criança em uma referencia para o imaginário popular. João Hélio
pelo menos pôde ter uma sepultura, ao contrário dos mártires do Holocausto, cujas cinzas restaram espalhadas pelos campos
da morte na Europa, até hoje ainda clamando pelo acontecido, para que a Humanidade pelo menos não esqueça, e não permita que
novas desgraças possam ocorrer. Com efeito, alguma coisa está mudando. A esperança de que 1.500.001 crianças inocentes não
tenham lamentável e absurdamente se sacrificado em vão está naquela senhora do metrô, nas missas e manifestações, na Assembléia
Geral da ONU, que há 2 anos criou o Dia Internacional de Recordação do Holocausto, e agora mesmo declarou a impropriedade
dos negacionistas e revisionistas. Unidos resistiremos à barbárie, e então no Brasil e no Mundo caminharemos para ter a sociedade
justa e melhor que as pessoas de bem tanto almejam, e onde todas as crianças do mundo possam viver em alegria e sem medo.
Costumes brasileiros “importados”
do judaísmo
Nelson Menda
É um privilégio poder viver em um país sem furacões,
terremotos ou vulcões. Em uma nação gigantesca e extremamente fértil, considerada o verdadeiro celeiro da humanidade. Que
consegue agregar à maior floresta tropical do mundo suas imensas reservas submarinas de petróleo, fato que a torna auto-suficiente
em uma época de escassez dessa preciosa e limitada fonte de energia. Que possui incomensuráveis mananciais de água doce, o
petróleo do amanhã, tanto na superfície quanto no subsolo. Que apresenta um extenso litoral, com 8.000 quilômetros de praias,
algumas delas de cair o queixo. Um país que se orgulha em ostentar o título de maior nação cristã do mundo, desde o seu descobrimento
pelos portugueses, católicos apostólicos romanos, há cinco séculos. Êpa, eu disse católicos apostólicos romanos? Peço desculpas
aos leitores e à imensa legião de cristãos do país, mas acho que me equivoquei nesse último tópico. E já explico o porquê.
A ERA DOS DESCOBRIMENTOS Apenas
três anos antes do descobrimento do Brasil o número de judeus em Portugal ultrapassava a casa dos 10% da população. Cem mil
judeus expulsos da Espanha em 1492 tinham procurado refúgio no país vizinho, pela própria proximidade geográfica, vindo se
somar à já existente e próspera coletividade israelita do país. Portugal, à época, tinha uma população estimada em um milhão
de habitantes. Por volta de 1496, quatro anos após a chegada dessa numerosa e qualificada leva migratória à terrinha, D. Manuel,
o Venturoso, tido como “muy amigo” dos judeus, pediu a mão da filha dos Reis de Espanha, Isabel e Fernando, cujos
nomes provocam, até hoje, arrepios em muitos sefaradis. A princesa, que não era esbelta nem esperta, foi buscar orientação
com seu confessor, o temível Torquemada, que proibiu terminantemente sua entrada em solo português enquanto existissem judeus
no país. D. Manuel estava em uma sinuca de bico. Por um lado, precisava dos judeus, alfabetizados, cultos, poliglotas, em
cujo seio era possível encontrar médicos, astrônomos, tradutores e artesãos experientes no manejo do couro e dos metais, em
uma época em que Portugal se lançava aos grandes descobrimentos marítimos e precisava dessa mão de obra altamente qualificada.
Por outro, o soberano português temia, com justa razão, a presença ao seu lado de uma Espanha militarizada e agressiva que
acabara de conquistar a Andaluzia aos árabes e expulsar os judeus do país. Espanha essa que possuía população e território
muitas vezes superior ao de Portugal, um pequeno país espremido entre o mar e seu nada amistoso vizinho.
BATISMO EM PÉ Com esse casamento,
D. Manuel esperava matar dois coelhos de uma só vez. Além de constituir família e garantir a continuidade da sua dinastia,
afastava, pelo menos momentaneamente, a ameaça de uma anexação de Portugal pela Espanha. Todavia, como resolver a delicada
questão dos judeus, de que ele tanto precisava? No domingo de Ramos de 1497 D. Manuel convidou os israelitas da capital portuguesa
para um grande encontro na Praça do Comércio, bem em frente ao Tejo, com a promessa de que embarcariam em navios que os levariam
à Terra Santa, sonho da imensa maioria dos judeus ibéricos. Ao mesmo tempo, em segredo, convocou o maior número possível de
padres, a quem foi distribuída uma grande quantidade da assim chamada água benta, no episódio conhecido como “batismo
em pé”. Enquanto os religiosos católicos aspergiam a água dita santa sobre a multidão que se acotovelava no cais, D.
Manuel, feliz da vida, enviava seu emissário à corte espanhola para avisar que não havia mais judeus em Portugal, só cristãos.
E os judeus, olhos fixos no horizonte, “ficaram a ver navios”, pois além de ludibriados com a falsa promessa da
viagem à Terra Prometida, ainda tinham sido convertidos, contra a vontade, em cristãos. Cristãos de segunda classe, diga-se
de passagem, pois estavam proibidos de ocupar cargos no governo, no clero e na oficialidade militar. Esse lamentável episódio
se, por um lado, evidenciou uma atitude de total desrespeito à liberdade religiosa em relação a uma parcela ponderável da
população, por outro serviu para deixar uma marca indelével e inequívoca da presença judaica na formação do inconsciente coletivo
de portugueses e brasileiros, o que pode ser constatado ao se analisar certos hábitos, muitos provérbios e até mesmo algumas
estranhas superstições que se incorporaram à nossa maneira de ser. A própria expressão “ficar a ver navios”, para
citar um exemplo, acabou sendo agregada ao vocabulário popular, servindo para designar uma situação de promessa não cumprida,
de enganação, de desejo frustrado. Teria sido esse “ficar a ver navios” a única evidência da presença judaica
no dia-a-dia da população luso-brasileira, de suposta maioria cristã? Claro que não e o objetivo deste artigo é exatamente
o de utilizar artifícios freudianos para resgatar, dos profundos e nebulosos meandros do inconsciente para o estado de consciência
plena, uma série de fatos que evidenciam, de forma cabal e inequívoca, a forte presença judaica nos hábitos da população brasileira.
“PÃO-DURISMO MINEIRO”: MITO
OU REALIDADE? Os judeus participaram de todos os ciclos da economia brasileira, inclusive o do ouro e pedras preciosas
das Minas Gerais. Obrigados a se manter no anonimato, para não serem denunciados à Inquisição e ao mesmo tempo preocupados
em seguir as regras dietéticas da kashrut (1), desenvolveram um mobiliário que permitia agradar a gregos e troianos, que é
a famosa “mesa com gavetas” dos mineiros. Em que consistia? Muito simples: as mesas das cozinhas e copas onde
eram realizadas as refeições dispunham de gavetas estrategicamente dispostas no lugar onde os comensais deveriam sentar. A
cada refeição, eram preparados dois pratos para cada pessoa. Um, taref (2), para inglês ver, no caso de chegar alguma visita
inesperada, composto pelos alimentos habituais da cozinha mineira, como lingüiça, torresmo, leitão e outros quitutes que,
além de seu elevado teor calórico, eram proibidos aos judeus. O outro prato continha os alimentos preparados segundo a tradição
judaica de não misturar carne com leite e derivados, de evitar a ingestão de crustáceos e peixes sem escamas e uma série de
outras recomendações, especialmente a de não consumir carne ou gordura de porco. E era um tal de bota e tira os pratos nas
tais gavetas a cada aproximação de um estranho que o zé povinho acabou forjando a lenda de que os mineiros eram pão-duros,
pois preparavam dois tipos de comida. Uma, de melhor qualidade e sabor, para o pessoal da casa e outra, mais simples, para
o caso de chegar uma visita inesperada.
O FESTIVAL DA ALHEIRA Quem
freqüenta, no Rio, as sinagogas Shel Guemilut ou ARI, já teve a oportunidade de passar pela frente de um tradicional restaurante
português localizado nas proximidades. Esse estabelecimento costuma realizar, todos os anos, um “Festival da Alheira”,
ansiosamente aguardado pelos apreciadores da boa mesa. Mas afinal, o que vem a ser a alheira? Uma das evidências para um judeu
ser denunciado à Inquisição era o fato de não comer carne suína, especialmente os embutidos com ela preparados, como o presunto,
os salames e as lingüiças. Uma casa portuguesa genuinamente cristã deveria exibir, penduradas e à vista de todos, fieiras
de embutidos de porco preparados com essa carne considerada impura pelas leis dietéticas judaicas. Os israelitas portugueses,
especialmente das regiões da Beira Alta e Trás os Montes, logo se deram conta do risco que corriam ao não exibir essa tradicional
– e proibida – iguaria no entorno de suas casas. Criaram uma falsa lingüiça que, ao invés do porco utilizava carne
de gado. No lugar do toucinho, de cor branca, colocavam nacos de pão e, para mascarar o cheiro, folhas de um arbusto da região
de nome alheira que possuía um forte odor, semelhante ao do alho. Além de afastada a razão para uma possível denúncia, estava
criado um novo e delicioso prato, que até hoje faz a festa em muitas casas e estabelecimentos especializados em culinária
regional portuguesa. Mas atenção, antes de pedir uma alheira em um restaurante de comida portuguesa, bata um papo com o maitre
a respeito do seu conteúdo, pois muitos fabricantes do produto, desinformados sobre a origem e o valor histórico da iguaria,
acabaram substituindo a carne bovina por... adivinhe... nada mais nada menos do que... porco.
PASSAR A MÃO NA CABEÇA Quem
já não ouviu ou pronunciou a expressão “passar a mão na cabeça”, que significa proteger ou mesmo fazer vista grossa
para um determinado fato?. Se o leitor suspeita que essa frase esteja relacionada ao ato judaico de abençoar alguém colocando
as duas mãos sobre sua cabeça ao mesmo tempo em que se pronuncia uma breve oração em hebraico, está redondamente acertado.
É mais uma prova da influência judaica na cultura popular brasileira.
VESTIR A CARAPUÇA É uma expressão
com origem trágica, pois remonta ao obscuro período da Inquisição em que os condenados eram obrigados a vestir trajes ridículos
ao comparecer aos julgamentos e Autos de Fé. Além do sambenito, túnica com o formato de um poncho, precisavam colocar sobre
a cabeça um longo e ponteagudo chapéu, conhecido como carapuça. A frase “vestir a carapuça” acabou sendo incorporada
ao português escrito e falado com o sentido de “assumir a culpa”.
NÃO APONTAR PARA AS ESTRELAS Apontar
para uma estrela, segundo o conceito popular, poderia causar o surgimento de uma verruga na extremidade do dedo infrator.
Qual a origem dessa crendice? É fácil de entender. O calendário judaico é regido pela lua e o despontar da primeira estrela
marca o início de um novo dia, especialmente se esse dia for o Shabat (3). Antes da expulsão da Espanha de 1492 e da conversão
forçada de Portugal de 1497 era comum que as crianças judias, ao entardecer das sextas-feiras, ficassem procurando no firmamento
o brilho da primeira estrela, indicativa da chegada de um dia muito especial. Era a Estrela D’Alva, também conhecida
como Vésper, mas que, na realidade, não é exatamente uma estrela, mas sim o Planeta Vênus, que por brilhar com mais intensidade
se destaca dos outros corpos celestes. Quem apontasse primeiro provavelmente ganharia a admiração dos mais velhos e, quem
sabe até, algum presente. De uma hora para outra esse gesto simples passou a ser denunciador da condição judaica e a primeira
coisa que as precavidas mamães fizeram foi assustar seus filhos com a possibilidade do surgimento de uma baita verruga na
ponta do dedo. A Inquisição, felizmente, já acabou há bastante tempo, mas a crendice ainda persiste em muitas regiões desse
imenso país. Por isso, não se preocupe quando vir uma criança ou adulto apontando para o céu. Mesmo porque já se sabe que
as verrugas são causadas por vírus e os dermatologistas dispõem de eficazes tratamentos para erradicá-las.
OFERECER A BEBIDA AO SANTO É
comum em muitos bares e botequins de norte a sul do Brasil despejar no chão o primeiro gole de aguardente, em sinal de respeito
“ao santo”. Qual o santo? Nada mais nada menos do que o nosso conhecido Eliyahu Hanavi (4), o Profeta Elias da
tradição judaica. Nas mesas do Seder (5) de Pessach (6) é costume reservar um lugar para o Profeta, colocando-se um prato,
talheres e um cálice com o delicioso vinho adocicado especialmente preparado para a ocasião. Ninguém toca nesse cálice, reservado
para Elias. Diz-se que, a cada ano, ele faz uma visita a todos os lares judaicos durante o Pessach e não ficaria bem encontrar
seu cálice sem o precioso líquido. Com as perseguições aos judeus, começou a ficar perigoso mencionar o nome de Elias, que
passou a ser chamado de “santo”. De profeta para santo e de vinho para pinga foi um pulo.
COVA DE SETE PALMOS DE FUNDURA O
grande escritor e poeta João Cabral de Melo Neto imortalizou nos versos de “Morte e Vida Severina” a estrofe que
fala de uma cova com sete palmos de fundura. É uma tradição 100% nordestina envolver as pessoas falecidas em uma mortalha
de linho, sepultando-a em cova preparada em terra virgem com a profundidade de sete palmos. Também fazia parte da tradição
judaica ibérica, por ocasião da morte de um ente querido, ao invés de sepultá-lo em um caixão, revestir seu corpo em uma mortalha
confeccionada com algodão ou linho e enterrá-lo em uma cova escavada igualmente em terra virgem e com os mesmíssimos sete
palmos de profundidade. Os homens costumavam ser sepultados envoltos no seu talit (7), manto com franjas utilizado durante
as cerimônias religiosas. Coincidência? Nada disso. O Nordeste foi colonizado por judeus, gente!
ACENDER VELAS PARA AS ALMAS A
cerimônia doméstica do Shabat tem início logo após a dona da casa ter acendido as duas velas do candelabro ritual e pronunciado
a benção própria para a ocasião. Quando isso acontece? Um pouco antes do pôr do sol das sextas-feiras. Como driblar os olheiros
da Inquisição? Acendendo velas “para as almas”, além das sextas, também às segundas-feiras. Pronto, estava resolvido
o problema. O acendimento das segundas-feiras era só para despistar e o das sextas para valer. A moda de acender velas duas
vezes na semana pegou. Para felicidade das almas e dos fabricantes de velas.
DIA NACIONAL DA FAXINA Em que
dia da semana os brasileiros costumam fazer a faxina e trocar a roupa de cama e banho de suas casas? Pense bem antes de responder:
às segundas, terças, quartas ou quintas-feiras? Não acertou? Isso mesmo, pois todos sabem que o dia nacional consagrado à
faxina é às sextas-feiras. Você já questionou o porquê desse dia? Será que não tem algo a ver com a preparação para o Shabat,
que, por uma estranha coincidência, também acontece ao entardecer das sextas-feiras? Mais uma coincidência? Não, tudo a ver
com um país que foi descoberto e colonizado por israelitas, que precisaram esconder essa condição durante muitos séculos para
não serem denunciados, perseguidos, torturados e mortos pela Inquisição, mas que conseguiram transmitir para o restante da
população uma série de costumes, provérbios e princípios que hoje em dia estão intimamente ligados ao próprio estilo de vida
do povo brasileiro, ao qual os judeus, juntamente com os católicos, protestantes, muçulmanos, evangélicos, espíritas, budistas,
umbandistas e agnósticos fazem questão, com muita honra, de pertencer.
(1)- Kashrut – Lei dietética judaica (2)-
Taref – Alimento impróprio para consumo pela lei dietética judaica (3)- Shabat – Dia sagrado dos judeus, que
vai do entardecer das sextas-feiras ao mesmo período do dia seguinte (4)- Eliyahu Hanavi – Nome hebraico do Profeta
Elias (5)- Seder – Mesa cerimonial para a celebração do Pessach, a Páscoa Judaica (6)- Pessach – Celebração
festiva da libertação dos Judeus do jugo egípcio (7)- Talit – Manto cerimonial utilizado pelos homens no Shabat e
datas festivas
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O Dilema Moral e a Experiência Religiosa
Por Rabino Eliahu Birnbaum - Parashat: Vayerá - Tradução: David Salgado
A história do sacrifício de Itzchak constitui um tema central
na visão do mundo tida pela Torá. Apenas em alguns poucos versículos, a Torá nos enfrenta fazendo a pergunta profunda e tocante
da fé religiosa.
Abraham Avinu foi posto em prova em numerosas ocasiões.
O sacrifício de Itzchak, sem dúvida, foi a prova mais difícil de todas. Depois de ter sonhado e ter desejado por vários anos
que sua esposa Sará lhe desse um filho, até que finalmente seu desejo foi realizado, D-us lhe ordena subitamente que ofereça
a criança em sacrifício.
D-us lhe dá essa ordem depois de ter-lhe prometido que
"sua semente se multiplicará como grãos de areia, que seus descendentes serão numerosos como as estrelas do céu..."
O filósofo judeu alemão Franz Rosenzwaig (1886 - 1929)
explica em seu monumental livro "A Estrela da Redenção", por qual motivo D-us necessita colocar o homem a prova, e neste mesmo
relato, a Abraham:
"D-us deseja que os homem sejam livres. Por isso D-us,
que quer distinguir entre as almas, não tem outra alternativa senão pô-las a prova. Para isso, não apenas deve esconder Sua
Majestade, senão que também deve desorientá-los neste sentido, até que o homem se fortaleça e possa verdadeiramente acreditar
em D-us. Acreditar n'Ele através da liberdade, e confiar n'Ele. O homem deve compreender que D-us o põe a prova, para que
sua fé se opunha a tentação e possa fechar seus ouvidos diante de seu murmúrio. O homem deve conhecer que ele é submetido
a prova em nome de sua liberdade. Deve aprender a confiar em sua liberdade. Deve acreditar, porque enquanto tenha dúvidas
e esteja limitado por todos os lados, em todos os demais aspectos, em relação a D-us ele é totalmente livre".
A história do sacrifício de Itzchak, segundo aparece no texto bíblico,
constitui um exemplo extremo de seu estilo sintético e conciso. Os nomes dos jovens que acompanham a Itzchak não são mencionados.
Não existe descrições das paisagens, nem das conversas que foram mantidas durante o caminho. A Torá nos apresenta um ancião,
que apenas ao completar cem anos conseguiu ter um filho e está a caminho de realizar a sua dura provação de fé que implicará
em sacrificar seu filho, segundo lhe foi ordenado.
A viagem se prolonga por três dias. O que aconteceu durante todo esse tempo?
Como foi o caminho? O que ocorria no coração e na alma do pai? Quais eram os pensamentos do filho? Por acaso Abraham preparou
o seu filho para o que ia se passar em breve?
Sobre tudo isso, a Torá nos brinda com informação concisa e técnica: "E
levantou-se e foi ao lugar que D-us lhe indicou. No terceiro dia..."
Podemos imaginar o que se passava na mente de Abraham durante esses três
dias? A Torá se limita a relatar-nos como saiu Abraham de seu lugar ao amanhecer, para depois passar a: "No terceiro dia levantou
Abraham seus olhos e viu o lugar de longe..."
Aqui a Torá brinda ao leitor a oportunidade de imaginar quais foram os
pensamentos, sentimentos e dúvidas de Abraham durante esses três dias. A Torá não se ocupa de descrevê-los deixando que cada
pessoa construa sua própria versão dos fatos.
Para poder encontrar uma resposta às perguntas anteriores e imaginar o
que ocorria dentro do coração dos protagonistas, devemos adentrarmos no mundo em que tem lugar a história do sacrifício de
Itzchak. Devemos vestir suas roupas, ocuparmos os seus lugares e recorrermos seu caminho, tratando de sentir e pensar como
eles.
O leitor e o estudioso que se encontra na história do sacrifício de Itzchak
sente-se chocado, pasmo, em verdadeiro conflito, e as vezes inclusive chega ao desespero.
As coisas excedem a possibilidade de serem descritas e avaliadas. Toda
descrição pode ter resultado simples demais ou exagerada demais. Apenas o silêncio pode definir esses três dias decisivos.
Cada um deve enfrentar-se com esse silêncio e perguntar-se: como foi? Por acaso Abraham conseguia dormir durante essas noites?
Podia comer? Sentia-se excitado e emocionado? Por acaso caminha cabisbaixo e triste?
Se cada pessoa se colocar no lugar de Abraham, durante o caminho até o
sacrifício, poderá entender a si mesmo e captar sua própria essência. Aquele que se coloca no lugar de Abraham, se converterá
em parte inseparável do drama que se desenvolveu durante esses três dias determinantes.
No Talmud e no Midrash, nossos sábios interpretam o silêncio neste relato
e nos brindam com suas enriquecedoras explicações sobre o seu significado.
O homem deve enfrentar em cada geração a grande pergunta de todos
os tempos: devemos por acaso, sacrificar nossa própria vida, ou a de nossos filhos, em nome de um ideal?
Em distintas épocas, os judeus tiveram que enfrentar este dilema, e apesar
de que talvez não exista uma explicação lógica para isso, preferiram entregar seu corpo antes de sua alma. Na época dos romanos,
durante as guerras dos Chashmonaim, nas rebeliões nos guetos e nas guerras de Israel durante os últimos cem anos, os judeus
demonstraram que nosso povo elegeu seguir vivendo de acordo com sua fé, de acordo com os ideais que o inspiram, apesar dos
numerosos sacrifícios que teve que realizar em seu caminho.
Para o povo judeu, a história do sacrifício de Itzchak converteu-se num
símbolo vivo, em prol do qual se dirigem as gerações seguindo os milagrosos caminhos do respeito a D-us e da disposição de
sacrificar-se em nome da continuidade judaica. O sofrimento das gerações, simbolizado nos sacrifícios ininterruptos, que não
esqueceram sequer uma geração, acentuou a importância da história e incutiu na mesma o afeto e a identificação do povo.
Quando analisamos a história do sacrifício, podemos considerar também a
pergunta seguinte: quais são as características da experiência religiosa? Habitualmente, pensamos que o homem religioso vive
num paraíso. Confia no que faz, em sua fé, em si mesmo,em sua vida tudo é simples e claro. A analise do sacrifício de Itzchak
nos revela uma situação, humana e natural, na qual Abraham, seu protagonista, tem que enfrentar perguntas, dilemas e dúvidas
antes e durante o cumprimento da ordem de D-us. |
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Rabi Yossef Caro - Autor do Shulchan Aruch
Por:
Tev Djmal - www.morasha.com.br
Rabi Yossef Caro foi um dos mais influentes sábios em toda a história judaica.
Orgulho e glória da comunidade sefaradita mundial, é o celebrado autor do Shulchan Aruch, Código da Lei Judaica.
A obra, que influenciou o povo judeu na sua totalidade, é o texto jurídico
sobre o judaísmo - fonte primária de consulta nas dúvidas ou questões sobre as leis da Torá. Sempre que se deve tomar uma
decisão concernente a qualquer dos mandamentos Divinos - suas ordens e proibições - a palavra final reside no Shulchan Aruch.
Para melhor apreciar a contribuição do Rabi Yossef Caro ao judaísmo, faz-se
necessário iniciar pela seguinte pergunta: se D'us transmitiu toda a Torá a Moshé Rabenu, por que razão há diferenças de opinião
no Talmud? A simples resposta à pergunta é que, no judaísmo, como em praticamente tudo na vida, pode haver mais de uma verdade
e mais de uma maneira de fazer as coisas da forma certa. Até na Matemática, uma ciência exata, há problemas com mais de uma
solução. Este argumento, porém, não deve sugerir que é possível manipular as Leis do judaísmo. Diferentes comunidades judaicas
podem ter diferentes costumes; todos, no entanto, têm que ser calcados na Torá. Voltando à analogia matemática, a raiz quadrada
de 4 é 2 e -2, mas nenhum outro número além destes.
O Talmud é o texto básico da Lei Judaica. Todas as suas afirmações são
válidas e refletem a Vontade e a Sabedoria Divina transmitidas no Monte Sinai. No entanto, se cada um de nós seguisse as opiniões
talmúdicas de sua preferência, o judaísmo se tornaria fragmentado - uma combinação e permutação de diferentes leis - e nosso
povo deixaria de possuir uma única Torá. A missão de unificá-la e, conseqüentemente, unificar o nosso povo, coube ao Rabi
Yossef Caro. Para realizar tamanho feito, Rabi Caro analisou os pontos de vista e as discussões do Talmud e dos sábios que
o precederam, só então apresentando sua opinião final sobre todas as questões práticas à Lei contidas na Torá.
Em hebraico, a expressão "Lei Judaica" é traduzida por Halachá - literalmente,
"o caminho". O propósito da Halachá é determinar o caminho que D'us deseja que sigamos em nossa vida, quer estejamos envolvidos
em trajetórias sagradas ou seculares. Assim sendo, o desafio enfrentado pelo Rabi Caro ao redigir um Código de Lei Judaica
seria estabelecer qual seria a Halachá - o caminho - que cada um dos judeus deveria percorrer. Sua missão conseguiu sair-se
vitoriosa, uma vez que o povo judeu aceitou seu trabalho como a "sentença final e determinante" em assuntos da Lei da Torá.
Breve relato de sua vida
Rabi Yossef Caro nasceu em Toledo, Espanha, no ano de 1488 desta era,
o ano judaico de 5248. Quando tinha apenas 4 anos, deixou a Espanha juntamente com sua família e milhares de outros judeus,
pois os Reis Católicos haviam decretado, em 1492, que nenhum judeu viveria em seu reino. Restava-lhes escolher entre a conversão
ou a expulsão. A família Caro peregrinou de país em país até que, por fim, fincou raízes em Constantinopla, na Turquia, no
ano de 1497.
Seu primeiro mestre foi Rabi Ephraim, seu pai, grande estudioso e conhecedor
da Torá, que exerceu uma profunda influência sobre o filho. Após o falecimento do pai, Rabi Yossef Caro foi adotado por um
tio, Rabi Yitzhak Caro, que o educou como se fora seu próprio filho. Desde cedo, percebeu-se que o jovem era um prodígio.
Certamente se tornaria um grande sábio e erudito. Ainda jovem, era procurado e consultado em assuntos sobre a Lei por rabinos
e estudiosos bem 00mais velhos do que ele.
Em 1522, Rabi Yossef Caro se mudou para Adrianópolis a fim de estudar
com o Rabi Taitazak, um dos grandes nomes do judaísmo turco. Nesta cidade se casou com a filha de um erudito, Rabi Chaim Ibn
Albalag e fundou um Beit Midrash, uma Casa de Estudo. Enquanto lá vivia, conheceu um grande cabalista, Rabi Shlomo Molcho,
posteriormente queimado vivo pela Igreja Católica, em Mântua, na Itália, por suas "crenças heréticas". A personalidade carismática
de Rabi Shlomo Molcho e seu martírio tiveram enorme influência sobre Rabi Caro.
Posteriormente, Rabi Caro deixou Adrianópolis, mudando-se para Nikopol,
na Bulgária, onde conheceu o Rabi Shlomo Alkabetz, autor de Lechá Dodi, a mística e bela oração que cantamos na noite de sexta-feira,
para acolher o Shabat (ver Morashá n· 35). O místico logo se tornou seu grande amigo e companheiro de estudos. Foi uma amizade
que se manteria por toda a vida. Juntos instituíram o costume do Tikun Leil Shavuot - a recitação de versos de partes da Torá
Escrita e da Torá Oral durante toda a noite de Shavuot.
Após a morte, ainda jovem, de sua esposa, Rabi Yossef Caro casa-se novamente
com a filha de Rabi Yitzhak Salba. Decide viver na Terra de Israel. Lá chegando com a família, em 1536, estabelece-se em Tzfat,
cidade que se tornou centro do misticismo judaico. Viveu o restante de seus anos nesta cidade, ganhando a vida como mercador
de especiarias, pois jamais tirou seu sustento de suas atividades relacionadas à Torá.
Em Tzfat, Rabi Caro passou a integrar o Beit Din, o Tribunal de Justiça
Rabínico, presidido por Rabi Yaacov Beirav, sábio renomado. Fundou também uma ieshivá onde lecionava, tendo muitos discípulos.
Entre os mais destacados incluíam-se Rabi Moshe Alshich, Rabi Moshe Galanti e Rabi Moshe Cordovero, pai do estudo da Cabalá,
conhecido como o Ramak .Com o falecimento do Rabi Beirav, assumem a direção do Tribunal Rabínico de Tzfat o Rabi Yossef Caro
e Rabi Moshe de Trani, o Mabit.
Foi sob a liderança de Rabi Caro que o Beit Din de Tzfat se tornou o Tribunal
Central de Justiça Rabínica de toda a Terra de Israel e até mesmo da Diáspora. Isto significa que não havia assunto de importância
para o mundo judaico que não fosse levado à sua atenção e a de seu tribunal. Suas sentenças eram aceitas como a palavra final,
determinante e conclusiva. Mantinha uma volumosa correspondência com correligionários de todas as partes do mundo.
As lideranças judaicas mundo afora buscavam sua opinião sobre a Lei, endossando-as
e as aplicando em suas respectivas comunidades. Rabi Yossef Caro foi líder indiscutível de toda a sua geração.
O Beit Yossef e o
Shulchan Aruch
A maior contribuição do Rabi Caro ao judaísmo foram os tesouros escritos que
deixou. Seu primeiro trabalho de destaque, intitulado Kessef Mishná, constituía uma fonte de referências para a extraordinária
obra de Maimônides sobre a Lei Judaica - o Mishnê Torá. Aos 34 anos, idade prematura face à responsabilidade da tarefa, Rabi
Yossef Caro começou a escrever seu trabalho monumental - Beit Yossef, a Casa de Yossef. Tamanho é o respeito por esta obra
em meio ao povo judeu, que à pessoa dele comumente se referem como o "Beit Yossef" ou HaMechaber1 - O Autor.
A obra Beit Yossef é o Shulchan Aruch em forma não abreviada, isto é,
em sua totalidade. Trata-se de um completíssimo comentário sobre a obra de Rabi Yaacov ben Asher - Arba Turim, os Quatro Pilares
- um verdadeiro compêndio de sentenças e pareceres jurídicos sobre a Halachá. O Arba Turim (conhecido como Tur) é uma obra
de quatro volumes. O primeiro deles, intitulado Orach Chaim, contém as leis que regem o nosso cotidiano: os mandamentos sobre
as orações, o uso dos tefilin, o Shabat, as festas sagradas, entre outros. O segundo volume, Yorê De'á, versa sobre as leis
de cashrut e pureza ritual. O terceiro, Even Ha'Ezer, traz as leis do casamento e divórcio e similares. O último volume, Choshen
Mishpat, contém as leis judiciais, que envolvem testemunhas, juízes, propriedade, heranças e outros.
O propósito do Rabi Caro ao escrever um código definitivo sobre nossa
Lei era unificar o povo judeu através da solução de disputas e ambigüidades quanto ao entendimento e à aplicação dos Mandamentos
Divinos expressos na Torá. Foram necessários vinte anos para que ele terminasse a obra Beit Yossef. Ele o fez em Tzfat e a
mesma foi aceita em praticamente todo o mundo judaico como referência suprema sobre a Halachá - a Lei da Torá.
O Beit Yossef foi publicado no ano de 1542, mas Rabi Caro continuou a
editá-lo e refiná-lo durante os 12 anos seguintes. Acabou por publicar uma segunda edição da obra, incluindo o Tur. Sua Enciclopédia
foi publicada em diversos volumes, com os mesmos títulos usados por Rabi Yaacov ben Asher.
A obra Beit Yossef era longa e rica em detalhes, a ponto de ser de difícil
alcance para o homem comum. O mundo judaico carecia de um trabalho simples e de fácil absorção, no qual as profundezas de
nossa Lei fossem apresentadas de uma forma que todos pudessem estudá-las e as compreender. Por essa razão, anos depois, o
Rabi Yossef Caro pôs-se a escrever uma versão concisa e abreviada do Beit Yossef, que, quando pronta, continha as decisões
finais da Halachá, sem, no entanto se deter nos incontáveis e diferentes pareceres e sem enumerar as fontes que embasavam
a sua própria sentença. "O Autor" a chamou de Shulchan Aruch - "Mesa Posta", pois a obra continha todas as leis esmiuçadas,
como se estivessem dispostas sobre uma mesa, diante dos olhos de qualquer judeu, de modo claro e objetivo.
Rabi Yossef Caro calcava suas determinações, via de regra, sobre os costumes
e a opinião dos grandes Sábios sefaraditas. O líder da comunidade asquenazita, à época, Rabi Moshe Isserlis, o Ramá, não concordava
com todas as decisões jurídicas ditadas pelo Beit Yossef. Assim sendo, ele próprio editou um Código de Lei Judaica para as
comunidades asquenazitas - e o fez anotando todas as passagens em que o Shulchan Aruch ia contra os costumes e pareceres dos
sábios oriundos das kehilot de Asquenaz. Tal controvérsia serviu apenas para fazer correr, ainda mais longe, a fama e a ampla
utilização do trabalho do Rabi Caro, que se tornara o estatuto haláchico, nos aspectos em que o Ramá não discordava, até para
as comunidades asquenazitas. Finalmente, em 1578, os pareceres do Ramá foram adicionados ao Shulchan Aruch, em uma obra publicada
em Cracóvia, na Polônia. Tornava-se, assim, ainda que editado, o Código Oficial de Lei Judaica de todas as comunidades judaicas
asquenazitas, no mundo. E, com isso, o Rabi Yossef Caro deixava sua marca gravada em sua geração e em todas as gerações de
judeus que se seguiram, sendo sua obra aceita, por nosso povo, como Dvar Hashem - a Palavra de D'us.
legado do Beit Yossef
Até o último de seus dias, o Rabi continuou imerso no estudo da Torá,
escrevendo importantes tratados, e à frente do Tribunal Rabínico de Tzfat. Ascendeu ao Mundo da Verdade no dia 13 de Nissan
de 5335 (1575 desta era), aos 87 anos de idade, deixando enlutado todo o povo judeu. Sua dedicação à Torá e em especial à
Halachá consumiram toda sua vida. Deixou este mundo em meio a uma responsa, uma consulta sobre uma Lei. Na página em branco
que deixou, seu filho escreveu: "Neste ponto, o Mestre, de Abençoada Memória, deixou a página em branco, ainda por terminar.
Ele a teria preenchido, tinha as respostas, mas foi convocado para a Academia das Alturas". "O Autor", HaMechaber, foi enterrado
entre vários outros Tzadikim como ele, na sagrada cidade de Tzfat. Desde seu falecimento até os dias de hoje, perdeu-se a
conta dos judeus que visitaram seu túmulo, lá orando e rogando que ele interceda, em seu favor, perante o Eterno.
Rabi Yossef Caro foi, sem sombra de dúvida, uma das almas mais ricas e
profundas que já habitaram nosso mundo. O seu legado ao judaísmo e ao nosso povo é eterno e quase inigualável. Sua obra foi
considerada - e ainda o é - o mais confiável compêndio da Lei Judaica.
Traduzido por Lilia Wachsmann
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Carta Aberta sobre a Situação dos Anussim
Fonte: www.nbaianusim.org
Nos últimos anos falamos extensivamente sobre a situação dos
Anussim, pessoas que acreditam que sejam descendentes daqueles convertidos forçadamente sobre o furor da Igreja Católica em
Portugal e Espanha durante os séculos XIV e XV.
Anteriormente católicos, estão agora em números moderados
a afirmar que muitos de seus antepassados foram judeus, e sem dúvida muitos, mas não todos foram. O crescimento e disponibilidade
da internet em 1995 ajudou a informação a ser partilhada, e agora mais de dez anos mais tarde, existe uma explosão de interesse.
Mesmo que haja alguns sinceramente interessados em ajudar estas pessoas aprender acerca do judaísmo, existem outros que esperam
nas sombras do mundo judaico para os enganar.
Estas pessoas são parte de uma rede, conhecem-se uns aos
outros. Todos sabem o que cada um faz. Estas pessoas, a maioria indivíduos mal intencionados, lucram à custa daqueles cujos
antepassados foram vitimados há centenas de anos.
Descendentes dos Anussim estão hoje buscando ajuda. Muitos
desejam saber tudo sobre o que é um judeu e como se tornar um judeu.
Aqueles que ajudam os Anussim dividem-se em dois campos,
os que querem ajudar porque acreditam que eles precisam de ajuda e têm que ser ajudados. E aqueles que ajudam porque aconselhando-os
pode ser que dê lucro.
No primeiro grupo estão sociedades como Shavei Israel,
Chabad Lubavitch e indivíduos bem conhecidos como Rabino Moshe Otero em Miami, Moshe Lopez em Orlando e outros pelo mundo
afora. No segundo grupo existem indivíduos extremamente manhosos, eles estão “trabalhando com os Anussim” por
razões menos honráveis.
Claro que eu não posso nomear nomes, a nossa sociedade
politicamente correta não me permite o fazer, mas posso vos dizer aquilo que eles fazem. Aquilo que eles fazem é vender judaísmo
em troca de dinheiro. Eles o vendem a pessoas que são sinceras em espírito, mas ignorantes em conhecimento. Eles o vendem
aos Anussim. Conversão ao judaísmo mudou de algo baseado na Torá e Mitzvot à prostituição. Caindo num buraco negro “se
me pagares, eu te dou o que queres”.
Conversão ao judaísmo está agora até disponível eletronicamente.
Existem programas de estudo em casa, organizados sobre a estrutura do Judaísmo Reformista (Reforma). Os candidatos estudam
em casa e uma vez que se sintam preparados para se tornarem judeus, voam até um hotel em Miami, onde em apenas oito horas
estudam com um “rabino” ética judaica, orações, bênçãos, tradição, costumes, valores e o holocausto. O candidato
então escolhe o seu nome hebraico, caminha até à praia mais próxima para a imersão no Mikveh e instantaneamente são “judeus”.
Apenas oito horas com o “rabino” e se tornam
“judeus”. Assim que se secam estes judeus podem viajar ao prédio da Federação Judaica em Biscayne Boulevard
e pedirem para fazer Aliah. Isto não é um exagero da nossa parte. Este programa de conversão na internet é apenas um em muitos.
Outro programa de conversão existe onde o candidato se
encontra vinte vezes com o “rabino” e paga uma quantia de $125. Com isto, eles recebem 30 minutos de aula com
a mulher do rabino que ensina hebraico básico em 30 minutos. Com $125 eles podem comprar legalmente a cidadania israelense.
Outro “rabino” um que é bem conhecido no meio
dos Anussim, oferece o seu sistema de conversões em viajem. Ele viaja a vários países, Equador, Honduras, El Salvador,
Colômbia, Guatemala, Costa Rica e Panamá para converter os anussim. Ele aceita pessoas que digam que tem raízes judaicas,
“educa-os" e entrega em suas mãos um certificado depois de receber o dinheiro ou o cheque.
A partir de fevereiro de 2002, qualquer um que faça um
destes programas de conversão que descrevi é considerado judeu pelo Supremo Tribunal Israelita. Depois de atender este programa
de “conversão” eles podem solicitar ou exigir e são legalmente abrangidos pela lei que diz: qualquer judeu tem
o direito de viver em Israel. Estas pessoas têm o direito a uma passagem de avião de graça, podem mudar-se para Israel onde
receberão benefícios financeiros por até onze anos.
Mesmo assim aquelas pessoas que recebem estas pseudos
“conversões” terão imensos problemas no futuro. Elas terão problemas com Bar-Mitzvá para seus filhos, casamento
e muitos outros itens. Elas continuarão às margens da sociedade judaica, porque elas NÃO têm uma conversão legítima. Se os
anussim querem retornar esta é a forma errada de o fazer.
Por que é que um fluxo de muitas pessoas vêem de países
latinos pobres reivindicando que são judeus? Porque enquanto uns são mesmo descendentes de judeus, outros apenas querem aproveitar
a oportunidade para mudar-se para um país moderno e obter os benefícios que lhes serão dados numa bandeja de prata.
O fato é que esses programas existem. Os “rabinos”
que convertem os anussim (ou os retornam, como gostam de dizer) ao judaísmo, desenvolveram um modelo fora da estrutura Halachica
(Lei Judaica), onde lucram com as conversões.
Klal Israel, a Nação de Israel, deve e têm que receber
todos os “Gerei Tzedek” (Conversos Justos). Mas assim como os conversos têm a responsabilidade de ser sinceros,
os seus professores têm que ser membros da comunidade judaica autorizados, não vultos noturnos que mostram identificações
que diz “Rabino” e assinam documentos reconhecendo aqueles que lhe pagam, como judeus.
Membros da comunidade ortodoxa devem estar vigilantes e não se deixarem
enganar por pessoas que se intitulam “Especialistas dos Anussim”. | |
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Programa Israelense contra a Pobreza no Brasil
Por: David Brinn
Apesar de suas
grandes diferenças geográficas, Israel e o Brasil têm muito em comum quando se trata de desenvolvimento. De acordo com o Prof.
Rafi Bar-El, um dos maiores especialistas mundiais no desenvolvimento econômico regional, essas semelhanças permitiram que
sua equipe de pesquisadores israelenses ajudassem o estado do Ceará a quebrar seu ciclo de pobreza.
Desde 2000, Bar-El, chefe do Departamento de Políticas
Públicas e Administração da Universidade Ben Gurion (BGU), lançou um programa ambicioso financiado pelo Banco Mundial, para
aumentar o desenvolvimento regional e alterar o modo que o governo e seus cidadãos interagem.
O Ceará, com uma população de oito milhões de habitantes,
está localizado na costa nordeste do Brasil. Olhando para sua capital Fortaleza - com dois milhões de habitantes - pode se
ter a impressão de que tudo vai bem. Mas, apesar da economia do estado ter desenvolvido rapidamente nos últimos anos, esse
"boom" não fez nada para reduzir a pobreza nas áreas rurais.
"Durante a última década, o Ceará alcançou crescimento
econômico, mas a pobreza permaneceu no mesmo patamar. Enquanto a economia crescia, o povo continuava pobre", Bar-El declarou
ao site ISRAEL21c, se referindo a alguns fatores.
Como Israel em seus primeiros anos, a população rural
do Ceará foi prejudicada pelos desenvolvimentos tecnológicos que exigiram menos horas de trabalho para produzir colheitas
maiores, de acordo com Bar-El. A migração resultante dos trabalhadores desempregados para as cidades em busca de trabalho,
apenas aumentou a pobreza e resultou em uma super população urbana.
Bar-El e sua equipe, incluindo a Dra. Dafna Shwartz,
Diretora do Centro Bengis de Empreendimentos e Administração de Alta Tecnologia da Universidade Ben Gurion, trabalhou em uma
série de projetos de desenvolvimento familiar em Israel, e participaram também no plano master de longo prazo "Israel 20/20".
Mas não foi apenas a reputação de Bar-El que o envolveu
com a reabilitação do Ceará, foi seu passado.
Durante a década de 70, Bar-El esteve no Brasil pesquisando
os problemas da industrialização rural. "Aconteceu que uma das pessoas com as quais trabalhei naquela época e mantive contato
se tornou o Secretário de Desenvolvimento no governo em 2000. E porque uma de suas prioridades era resolver o problema da
pobreza, ele entrou em contato comigo", ele declarou.
"Após visitar e assessorar o problema, eu fiz um programa
focalizando o desenvolvimento regional, com ações específicas a serem tomadas em termos de educação, auxílio a pequenos negócios,
suporte à tecnologia e desenvolvimento urbano".
O objetivo máximo? Conseguir o crescimento econômico
sem aumentar a desigualdade no processo.
Depois de uma reunião com oficiais do Banco Mundial,
e especialistas do MIT que tinham suas próprias idéias em como lidar com a situação - um encontro com Schwartz descrito como
"intenso", o plano da equipe de Israel foi adotado, e o financiamento obtido.
"Eu montei uma equipe inclusive a Daphna, e colocamos
o plano em ação", Bar-El disse, e acrescentou que desde 2001, ele tem viajado uma média de quatro vezes ao ano para o Ceará,
incluindo uma visita recente de dois meses.
Os resultados de acordo com Schwartz, são como a noite
e o dia.
"O governo do Ceará adotou o nosso plano totalmente.
Ele mudou a atitude do governo e do povo. Eles mudaram seu orçamento para alocar uma quantia específica para a periferia,
e também indicaram um Secretário para o Desenvolvimento Regional (um cargo) que não existia antes", ela declarou ao site ISRAEL21c.
Além do mais, foram estabelecidos nove conselhos regionais
- compostos de 50 líderes econômicos, sociais e políticos - os quais se encontram regularmente e avançam as propostas que
o grupo israelense propõe.
Em um nível menor, Bar-El listou um número de realizações
que ajudaram o povo do Ceará. Prof. Rafi Bar-El
"Construímos um programa de suporte para negócios rurais
pequenos e afastados - essas pessoas não apenas não sabem o que pedir, mas também nem sabem pedir. Estabelecemos um programa
de reorganização urbana e outro para melhorar a tecnologia. Em três dessas regiões foi criado um cargo, como o de "Cientista-chefe",
que ajuda os negociantes e industriais a melhorarem a tecnologia e criar um link entre as atividades econômicas, universidades
e outras instituições", ele disse.
Mas a parte mais importante de todas essas iniciativas
e programas é que a desigualdade econômica que determinou o estabelecimento dessa iniciativa está sendo retificada. Bar-El
disse que a avaliação que tem sido feita e que será publicada esse mês aponta para um grande sucesso no programa.
A pobreza e desigualdade econômica diminuíram - mais
rapidamente do que nos outros estados brasileiros. Houve também um aumento econômico e um fechamento das lacunas na área de
educação. "Ambos os indicadores macro e sociais, apontam para o fato de que o estado realmente conseguiu uma situação melhor
do que tinha alguns anos atrás", ele declarou.
Bar-El também declarou que as iniciativas devem continuar
para que a região prospere. Mas ele está satisfeito que o trabalho de sua equipe está gradativamente diminuindo.
"Nós disparamos o gatilho, mas agora a responsabilidade
é deles. Estamos apenas ajudando-os na avaliação, direcionamento e respondendo as perguntas. Mas é o governo que está encarregado
agora. É uma situação feliz, quando seus filhos não precisam mais de você", ele declarou.
Tanto Bar-El como Schwartz expressaram satisfação com
a criação de uma ponte entre o povo e o governo do Ceará.
"Alguns dos pequenos empresários disseram em sua avaliação
que, pela primeira vez, eles sentiram um contato pessoal com seu governo - que seu governo está fazendo algo por eles", declarou
Bar-El.
Schwartz acrescentou: "Estamos regularmente indo ao campo visitar as pessoas
que precisam mais de auxílio. Foi gratificante ouvir de uma pessoa que 'o governo não apenas está fazendo algo por nós, mas
nós mesmos estamos envolvidos e ajudando uns aos outros".
O sucesso do Projeto Ceará - BGU (Universidade Hebraica
de Jerusalém), inspirou outros governos estaduais a se aproximarem de Bar-El para iniciar programas semelhantes. Bar-El já
está em conversações com outros estados do Brasil, e tanto a Tailândia quanto a Argentina estão interessados.
Por um lado ele está ansioso por ajudar, mas Bar-El
admite que tudo depende de financiamento. "É necessário que haja financiamento para que possa funcionar. No Brasil, tivemos
sorte em conseguir apoio do Banco Mundial".
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A História dos Sobrenomes
Amplamente divulgado na Internet
Os cognomes, apelidos, sobrenomes ou nomes de família
já eram utilizados na antigüidade, os romanos possuíam um sistema próprio de distinguir uma pessoa de outra pelo nome e por
outros apostos a ele.
Pela historia desse povo, julga-se que este
sistema tenha surgido em épocas remotas e que já fosse de uso comum logo após o inicio da expansão do poderio de Roma, os
romanos possuíam um sistema pelo qual identificavam no nome do indivíduo qual seu clã de origem, foi a primeira forma de se
identificar um grupo familiar em especifico, porem, com a queda do Império Romano em 476 d.C. este sistema virtualmente deixou
de existir, caindo em desuso.
Na idade média (476-1453) passou, pois, a vigorar
tão somente o nome de batismo para designar, distinguir e caracterizar as pessoas. Fala-se em nome de batismo porque, na época
da queda do Império Romano Ocidental, a península itálica já era praticamente toda cristã. Por outro lado, os povos invasores
foram cristianizados em massa no período que se segue à desagregação do Império. O cristianismo se tornou um elemento aglutinador
que aproximou todos estes povos.
O estabelecimento de vários povos estrangeiros
introduziu uma grande variedade de nomes e palavras que paulatinamente foram sendo latinizadas, salienta-se que os povos estrangeiros
não possuíam a tradição da sobrenominização das pessoas, fato este que influiu sistematicamente no abandono de tal
costume.
O aporte de grande acervo de novos nomes, trazidos
pelos povos invasores, principalmente germânicos, o abandono da sistemática latina de individualizar pessoas, a influencia
do cristianismo que difundia os nomes de seus mártires e santos criaram uma confusão generalizada. Os nomes se repetiam com
freqüência o que tornava difícil distinguir um indivíduo de outro.
Surgiu então a necessidade de se estabelecer
uma modalidade para se distinguir um cidadão do outro, para tal finalidade foram criadas algumas formulas que auxiliavam em
tal distinção.
Na verdade, não foram estabelecidas normas
baixadas pôr autoridades, mas sim o surgimento de um modo espontâneo na pena do escrivão, no convívio social e na linguagem
popular que inventava formas para distinguir os dez ou vinte Johannes (João) que viviam na mesma comunidade.
Os primeiros registros do uso de sobrenomes
familiares como hoje os conhecemos foram encontrados por volta do século VIII, ou seja, após o ano 701 d.C.
Na Inglaterra, por exemplo, só passaram a ser
usados depois de sua conquista pelos normandos, no ano de 1066. Foi só no inicio do renascimento que os cognomes voltaram
a ter aceitação geral.
No ano de 1563, o Concílio de Trento concretizou
a adoção de sobrenomes, ao estabelecer nas igrejas os registros batismais, que exigiam, além do nome de batismo, que teria
de ser um nome cristão, de santo ou santa, um sobrenome, ou nome de família.
Os locais de nascimento davam origem aos
sobrenomes:
A maior parte dos sobrenomes que circulam no
Brasil é de origem portuguesa e chegou aqui com os colonizadores. Alguns tinham origem geográfica, ou seja, no local em que
a pessoa nasceu ou em que morava. Desta forma, Guilherme, nascido ou vindo da cidade portuguesa de Coimbra, passou a ser,
como seus parentes, Guilherme Coimbra. Assim, também Varela, Aragão, Cardoso, Araújo, Abreu, Lisboa, Barcelos, Faro, Guimarães,
Braga, Valadares, Barbosa e Lamas eram nomes de cidades ou regiões que identificavam os que lá nasceram, passando a funcionar,
com o tempo, como sobrenomes.
Alguns desses sobrenomes, aliás, não se referem
a localidades, mas a simples propriedades rurais onde um determinado tipo de plantação era privilegiado. Por exemplo, os moradores
de numa quinta em que se cultivavam oliveiras passaram a ser conhecidos como Oliveira, o mesmo acontecendo com Pereira, Amoreira,
Macieira e tantos outros.
As alcunhas, ou apelidos davam origem aos
sobrenomes:
Outra origem de sobrenomes foram as alcunhas,
ou apelidos, atribuídos a uma pessoa para identificá-la e que depois se incorporava a seu nome como se dele fizesse parte.
É ocaso de Louro, Moreno, Guerreiro, Bravo, Pequeno, Calvo e Severo, por exemplo. Muitos nomes de família se originaram também
de nomes de animais, fosse por traços de semelhança física ou de características de temperamento: Lobo, Carneiro, Aranha,
Leão e Canário são alguns deles.
Os pais davam seu nomes aos filhos:
Vários sobrenomes de origem portuguesa / espanhola
podem ser classificados como sendo um patronímico, pois tem sua origem no nome próprio do fundador deste tronco familiar.
Por exemplo: Nunes é uma forma alternada de Nunez, o qual é o patronímico do nome Nuno.
Situação semelhante podemos observar em alguns
sobrenomes ingleses quando estes terminam em "son", esta palavra significa "filho". Assim um nome como John Richardson significava,
antigamente, simplesmente "João filho de Ricardo" ( John Richard's son ). O mesmo valendo para John Peterson, Peter Johnson,
etc.
Veja abaixo uma lista com alguns sobrenomes
comuns e seu correspondente paterno: Antunes – origem em “António”;
Alves ou Álvares - origem em “Álvaro”; Bernardes - origem em “Bernardo”; Diniz -
origem em “Dionísio”; Domingues - origem em “Domingos”; Ferraz - origem em “Ferraci”
(latim); Gonzáles - origem em “Gonzalo” (espanhol); Gonçalves - origem em “Gonçalo”
(português); Guedes
- origem em “Gueda”; Hernandez - origem
em “Hernan”; Lopes - origem em “Lopo”; Martinez - origem em “Martin” (espanhol);
Martins
- origem em “Martin” ou “Martino” (português);
Mendes - origem em “Mendo” ou “Mem”; Nunes - origem em “Nuno”; Rodrigues
– origem em “Rodrigo”; Ruiz - origem em “Rui”; Sanches - origem em “Sancho”;
Soares - origem em “Soeiro” ou “Suário”; Teles - origem em “Telo”; Vasquez
- origem em “Vasco”.
Sobrenome dos Cristãos Novos (antigos Judeus
Ibéricos)
Quando os judeus foram obrigados a adotar a
religião católica, desapareceram os Isaac, Jacob, Judas, Salomão, Levi, Abeacar, Benefaçam, etc., e ficaram somente nomes
e sobrenomes cristãos. Tomaram nomes vulgares, sem nada que os diferenciasse da maioria dos cristãos velhos, a não ser por
vezes a manutenção de algum sobrenome antigo judaico pelo qual o indivíduo era vulgarmente conhecido. Assim aconteceu com
Jorge Fernandes Bixorda, Afonso Lopes Sampaio, Henrique Fernandes Abravanel, Duarte Fernandes Palaçano, Duarte Rodrigues Zaboca,
etc.
É, portanto, falsa a idéia de que os cristãos
novos usavam nomes de árvores como Nogueira, Pereira, Pinheiro Carvalho, etc., para distinguir-se. Estes já eram sobrenomes
existentes e pertencentes a própria nobreza de épocas anteriores.
Nas listas de processados pelo Santo Ofício,
por serem judeus ou cristão-novos, encontram-se milhares de nomes e sobrenomes genuinamente portugueses, causando mesmo estranheza
que nomes hebraicos raramente sejam mencionados.
Analisando essas listas, nota-se que qualquer sobrenome português
poderá ter sido, em algum tempo ou lugar, usado por um judeu ou cristão-novo. Não escaparam ao uso sobrenomes bem cristãos,
tais como "dos Santos", "de Jesus", "Santiago", etc. Certos sobrenomes, porém, aparecem com maior freqüência, tais como "Mendes",
"Pinheiro", "Cardoso", "Paredes", "Costa", "Pereira", "Henriques", etc. O de maior incidência, no entanto, foi o "Rodrigues".
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