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     Um Milagre de Proporções Bíblicas

     Por: Michael Freund  - Tradução: David Salgado

Em algumas semanas, Sara Haunhar poderá concretizar o sonho de toda sua vida, sonho esse cultivado pelas últimas oito décadas.

Junto com sua filha Miriam e outros 216 Bnei Menashe do nordeste da Índia, a viúva de 84 anos entrará em um avião que fará a viagem de volta à sua casa, Sion. Foi uma viagem que teve início há vários séculos - 27 para ser preciso - quando o império Assírio invadiu a Terra de Israel e expulsou a maioria do povo ao exílio obscuro. Isso se passou na antiguidade mais é o equivalente ao Holocausto dos dias de hoje, já que a maioria dos israelitas do mundo - dez das doze tribos - desapareceu de repente e misteriosamente. Muitos pensaram que o seu desaparecimento tivesse sido permanente e definitivo, porque eles esfumaram no nevoeiro da história, aparentemente sem esperança de retornar. Mas agora, após tantos anos de sofrimento e dispersão, os descendentes destes "judeus perdidos" voltam finalmente e triunfantemente. O significado disto deveria ser evidente, mesmo para o mais cínico, mesmo porque, quem já ouviu falar da antiga tribo perdida que retorna a sua pátria ancestral depois de 2700 anos de sua deportação? Sem exagerar, parece justo afirmarmos que estamos falando de um milagre de proporções bíblicas.

Sara Haunhar pensa assim. Ano passado, em setembro de 2005, ela se apresentou pacientemente diante do tribunal rabínico, o qual foi enviado a Índia pelo Grande Rabino Sefaradi Shlomo Amar para retornar os Bnei Menashe ao povo judeu.

Previamente, em março de 2005, o Grande Rabino declarou que os Bnei Menashe são “descendentes do povo judeu”, e afirmou que faria o que estivesse ao seu alcance para ajudá-los a retornar. Os juízes rabínicos fizeram a Sara perguntas sobre o judaísmo e seu compromisso para reunir-se formalmente com o povo de Israel.

Um dos rabinos presente neste momento descreveu depois a cena com muita emoção, impressionado pela sinceridade e a dedicação de Sara. Os juízes lhe informaram que tinham o prazer de aceitá-la de volta ao seio do povo de Israel. Naturalmente, Sara começou a chorar e um rio de lágrimas corria por seu rosto. Quando um dos juízes se aproximou dela e perguntou-lhe se estava tudo bem, Sara respondeu com muita serenidade: “toda a minha vida tive medo de morrer antes de ter o mérito de ver a Terra Santa de D-us. Porém, agora que me aceitaram como judia, sei que em breve poderei pisar na terra de meus ancestrais, a Terra de Israel”.

Sara sempre viveu uma intensa vida judaica, junto com os outros 7000 membros que formam a tribo de Menashe e que residem principalmente no nordeste da Índia nos estados de Mizoram e Manipur. Os Bnei Menashe observam o Shabat, praticam a circuncisão no oitavo dia do nascimento, cuidam as leis de cashrut, assim como as leis de pureza familiar.

Graças a tolerância que caracteriza a sociedade na Índia, os Bnei Menashe puderam construir dezenas de sinagogas por todo o nordeste do país, onde dirigem três vezes ao dia suas orações a Jerusalém, na esperança de poderem se reunir com seus amigos e familiares que já residem no estado judeu. Na década passada, quase 1000 membros da comunidade fizeram aliah. Eles são membros valiosos e produtivos da sociedade israelense, os quais servem no exército, trabalham arduamente para sustentar suas famílias e criar seus filhos judeus.

De fato, no verão passado, durante a guerra, uma dezena de jovens Bnei Menashe estavam lutando nas linhas de frente em unidades de combate no Líbano e em Gaza, defendendo a terra de Israel e ao povo judeu. Um deles, o sargento Avi Hanshin de 22 anos foi ferido durante uma batalha com os terroristas de Hizbala no sul do Líbano. “Tive que lutar para vir a Israel”, disse Hanshin, recordando os inexplicáveis obstáculos que o governo de Israel colocou no caminho para a aliah dos Bnei Menashe, “agora” acrescenta, “eu devo lutar pelo país”.

A chegada em breve dos imigrantes da Índia trará um novo status para a comunidade. Pela primeira vez, um grande número de imigrantes Bnei Menashe chegará junto, orgulhosamente, como judeus, com a cabeça erguida e repletos de esperança no futuro.

Como presidente da Shavei Israel, uma organização que ajuda, entre outros, os Bnei Menashe, é um dia que anseio.

Durante anos, tenho trabalhado para mediar o caso dos Bnei Menashe, lutando e pressionando, com o objetivo de persuadir o governo de Israel para que abra suas portas a esta incrível gente.

Em junho, quase tivemos que solicitar a Suprema Corte de Justiça de Israel que exigisse de certo ministro israelense a permissão para que a aliah fosse realizada, e apenas depois de reunirmos com assessores do Primeiro Ministro Ehud Olmert foi que a autorização final foi expedida.  

Sendo assim, estamos rezando para que esse primeiro grupo de 218 imigrantes que chegará no mês que vem, seja o prenúncio da vinda de muitos e muitos mais nos próximos anos.

A Agência Judaica trará os imigrantes ao país e se ocupará de alojá-los no norte de Israel, nas cidades de Carmiel e Nazareth Elit, onde lhes serão outorgados os benefícios de absorção especiais graças a generosidade de judeus pro-Israel e cristãos.

A propósito, tudo isso tem muito haver com o que foi dito pelo profeta Isaias a cerca de 2500 anos atrás: profetizando ele diz que as nações do mundo tomarão um papel ativo no processo de regresso do povo judaico a sua terra. Em Isaias 49:22, a Bíblia diz: "Assim diz o Senhor: E aqui, Eu estenderei minha mão as pessoas, e aos povos levantarei minha bandeira, e trarão com seus braços aos seus filhos, e suas filhas serão trazidas nos ombros”. Não tenho dúvida que o amor, a preocupação e a ajuda concreta oferecida pelos judeus e cristãos que apóiam a causa em todo o mundo, faz parte integral da realização deste versículo.

Tremo-me todo só de pensar que a profecia de Isaías literalmente vai se realizar diante de nossos olhos. 

A aliah dos Bnei Menashe é um evento histórico. É um exemplo ideal do qual podemos entender em que consiste o maravilhoso renascimento de Israel: a reunião dos exílios, não apenas desde os quatro cantos da terra, mas também desde a obscura e tantas vezes dolorosa história.

Que sirva como uma poderosa lembrança: apesar de todos os problemas e dificuldades que este país deve enfrentar, não devemos jamais duvidar de unirmos a Sara Haunhar e seus companheiros Bnei Menashe quando declaram: “agradecemos a D-us pelo estado de Israel”. 

 

 

                               

    O Dilema Moral e a Experiência Religiosa

       Por Rabino Eliahu Birnbaum  - Parashat: Vayerá - Tradução: David Salgado

 

A história do sacrifício de Itzchak constitui um tema central na visão do mundo tida pela Torá. Apenas em alguns poucos versículos, a Torá nos enfrenta fazendo a pergunta profunda e tocante da fé religiosa.

Abraham Avinu foi posto em prova em numerosas ocasiões. O sacrifício de Itzchak, sem dúvida, foi a prova mais difícil de todas. Depois de ter sonhado e ter desejado por vários anos que sua esposa Sará lhe desse um filho, até que finalmente seu desejo foi realizado, D-us lhe ordena subitamente que ofereça a criança em sacrifício.

D-us lhe dá essa ordem depois de ter-lhe prometido que "sua semente se multiplicará como grãos de areia, que seus descendentes serão numerosos como as estrelas do céu..."

O filósofo judeu alemão Franz Rosenzwaig (1886 - 1929) explica em seu monumental livro "A Estrela da Redenção", por qual motivo D-us necessita colocar o homem a prova, e neste mesmo relato, a Abraham:

"D-us deseja que os homem sejam livres. Por isso D-us, que quer distinguir entre as almas, não tem outra alternativa senão pô-las a prova. Para isso, não apenas deve esconder Sua Majestade, senão que também deve desorientá-los neste sentido, até que o homem se fortaleça e possa verdadeiramente acreditar em D-us. Acreditar n'Ele através da liberdade, e confiar n'Ele. O homem deve compreender que D-us o põe a prova, para que sua fé se opunha a tentação e possa fechar seus ouvidos diante de seu murmúrio. O homem deve conhecer que ele é submetido a prova em nome de sua liberdade. Deve aprender a confiar em sua liberdade. Deve acreditar, porque enquanto tenha dúvidas e esteja limitado por todos os lados, em todos os demais aspectos, em relação a D-us ele é totalmente livre". 

A história do sacrifício de Itzchak, segundo aparece no texto bíblico, constitui um exemplo extremo de seu estilo sintético e conciso. Os nomes dos jovens que acompanham a Itzchak não são mencionados. Não existe descrições das paisagens, nem das conversas que foram mantidas durante o caminho. A Torá nos apresenta um ancião, que apenas ao completar cem anos conseguiu ter um filho e está a caminho de realizar a sua dura provação de fé que implicará em sacrificar seu filho, segundo lhe foi ordenado.

A viagem se prolonga por três dias. O que aconteceu durante todo esse tempo? Como foi o caminho? O que ocorria no coração e na alma do pai? Quais eram os pensamentos do filho? Por acaso Abraham preparou o seu filho para o que ia se passar em breve?

Sobre tudo isso, a Torá nos brinda com informação concisa e técnica: "E levantou-se e foi ao lugar que D-us lhe indicou. No terceiro dia..."

Podemos imaginar o que se passava na mente de Abraham durante esses três dias? A Torá se limita a relatar-nos como saiu Abraham de seu lugar ao amanhecer, para depois passar a: "No terceiro dia levantou Abraham seus olhos e viu o lugar de longe..."

Aqui a Torá brinda ao leitor a oportunidade de imaginar quais foram os pensamentos, sentimentos e dúvidas de Abraham durante esses três dias. A Torá não se ocupa de descrevê-los deixando que cada pessoa construa sua própria versão dos fatos.

Para poder encontrar uma resposta às perguntas anteriores e imaginar o que ocorria dentro do coração dos protagonistas, devemos adentrarmos no mundo em que tem lugar a história do sacrifício de Itzchak. Devemos vestir suas roupas, ocuparmos os seus lugares e recorrermos seu caminho, tratando de sentir e pensar como eles.

O leitor e o estudioso que se encontra na história do sacrifício de Itzchak sente-se chocado, pasmo, em verdadeiro conflito, e as vezes inclusive chega ao desespero.

As coisas excedem a possibilidade de serem descritas e avaliadas. Toda descrição pode ter resultado simples demais ou exagerada demais. Apenas o silêncio pode definir esses três dias decisivos. Cada um deve enfrentar-se com esse silêncio e perguntar-se: como foi? Por acaso Abraham conseguia dormir durante essas noites? Podia comer? Sentia-se excitado e emocionado? Por acaso caminha cabisbaixo e triste?

Se cada pessoa se colocar no lugar de Abraham, durante o caminho até o sacrifício, poderá entender a si mesmo e captar sua própria essência. Aquele que se coloca no lugar de Abraham, se converterá em parte inseparável do drama que se desenvolveu durante esses três dias determinantes.

No Talmud e no Midrash, nossos sábios interpretam o silêncio neste relato e nos brindam com suas enriquecedoras explicações sobre o seu significado.

O homem deve enfrentar em cada geração a grande pergunta  de todos os tempos: devemos por acaso, sacrificar nossa própria vida, ou a de nossos filhos, em nome de um ideal?

Em distintas épocas, os judeus tiveram que enfrentar este dilema, e apesar de que talvez não exista uma explicação lógica para isso, preferiram entregar seu corpo antes de sua alma. Na época dos romanos, durante as guerras dos Chashmonaim, nas rebeliões nos guetos e nas guerras de Israel durante os últimos cem anos, os judeus demonstraram que nosso povo elegeu seguir vivendo de acordo com sua fé, de acordo com os ideais que o inspiram, apesar dos numerosos sacrifícios que teve que realizar em seu caminho.

Para o povo judeu, a história do sacrifício de Itzchak converteu-se num símbolo vivo, em prol do qual se dirigem as gerações seguindo os milagrosos caminhos do respeito a D-us e da disposição de sacrificar-se em nome da continuidade judaica. O sofrimento das gerações, simbolizado nos sacrifícios ininterruptos, que não esqueceram sequer uma geração, acentuou a importância da história e incutiu na mesma o afeto e a identificação do povo. 

Quando analisamos a história do sacrifício, podemos considerar também a pergunta seguinte: quais são as características da experiência religiosa? Habitualmente, pensamos que o homem religioso vive num paraíso. Confia no que faz, em sua fé, em si mesmo,em sua vida tudo é simples e claro. A analise do sacrifício de Itzchak nos revela uma situação, humana e natural, na qual Abraham, seu protagonista, tem que enfrentar perguntas, dilemas e dúvidas antes e durante o cumprimento da ordem de D-us. 

       Rabi Yossef Caro - Autor do Shulchan Aruch

    Por: Tev Djmal - www.morasha.com.br 

Rabi Yossef Caro foi um dos mais influentes sábios em toda a história judaica. Orgulho e glória da comunidade sefaradita mundial, é o celebrado autor do Shulchan Aruch, Código da Lei Judaica.

A obra, que influenciou o povo judeu na sua totalidade, é o texto jurídico sobre o judaísmo - fonte primária de consulta nas dúvidas ou questões sobre as leis da Torá. Sempre que se deve tomar uma decisão concernente a qualquer dos mandamentos Divinos - suas ordens e proibições - a palavra final reside no Shulchan Aruch.

Para melhor apreciar a contribuição do Rabi Yossef Caro ao judaísmo, faz-se necessário iniciar pela seguinte pergunta: se D'us transmitiu toda a Torá a Moshé Rabenu, por que razão há diferenças de opinião no Talmud? A simples resposta à pergunta é que, no judaísmo, como em praticamente tudo na vida, pode haver mais de uma verdade e mais de uma maneira de fazer as coisas da forma certa. Até na Matemática, uma ciência exata, há problemas com mais de uma solução. Este argumento, porém, não deve sugerir que é possível manipular as Leis do judaísmo. Diferentes comunidades judaicas podem ter diferentes costumes; todos, no entanto, têm que ser calcados na Torá. Voltando à analogia matemática, a raiz quadrada de 4 é 2 e -2, mas nenhum outro número além destes.

O Talmud é o texto básico da Lei Judaica. Todas as suas afirmações são válidas e refletem a Vontade e a Sabedoria Divina transmitidas no Monte Sinai. No entanto, se cada um de nós seguisse as opiniões talmúdicas de sua preferência, o judaísmo se tornaria fragmentado - uma combinação e permutação de diferentes leis - e nosso povo deixaria de possuir uma única Torá. A missão de unificá-la e, conseqüentemente, unificar o nosso povo, coube ao Rabi Yossef Caro. Para realizar tamanho feito, Rabi Caro analisou os pontos de vista e as discussões do Talmud e dos sábios que o precederam, só então apresentando sua opinião final sobre todas as questões práticas à Lei contidas na Torá.

Em hebraico, a expressão "Lei Judaica" é traduzida por Halachá - literalmente, "o caminho". O propósito da Halachá é determinar o caminho que D'us deseja que sigamos em nossa vida, quer estejamos envolvidos em trajetórias sagradas ou seculares. Assim sendo, o desafio enfrentado pelo Rabi Caro ao redigir um Código de Lei Judaica seria estabelecer qual seria a Halachá - o caminho - que cada um dos judeus deveria percorrer. Sua missão conseguiu sair-se vitoriosa, uma vez que o povo judeu aceitou seu trabalho como a "sentença final e determinante" em assuntos da Lei da Torá.  

Breve relato de sua vida

Rabi Yossef Caro nasceu em Toledo, Espanha, no ano de 1488 desta era, o ano judaico de 5248. Quando tinha apenas 4 anos, deixou a Espanha juntamente com sua família e milhares de outros judeus, pois os Reis Católicos haviam decretado, em 1492, que nenhum judeu viveria em seu reino. Restava-lhes escolher entre a conversão ou a expulsão. A família Caro peregrinou de país em país até que, por fim, fincou raízes em Constantinopla, na Turquia, no ano de 1497.

Seu primeiro mestre foi Rabi Ephraim, seu pai, grande estudioso e conhecedor da Torá, que exerceu uma profunda influência sobre o filho. Após o falecimento do pai, Rabi Yossef Caro foi adotado por um tio, Rabi Yitzhak Caro, que o educou como se fora seu próprio filho. Desde cedo, percebeu-se que o jovem era um prodígio. Certamente se tornaria um grande sábio e erudito. Ainda jovem, era procurado e consultado em assuntos sobre a Lei por rabinos e estudiosos bem 00mais velhos do que ele.

Em 1522, Rabi Yossef Caro se mudou para Adrianópolis a fim de estudar com o Rabi Taitazak, um dos grandes nomes do judaísmo turco. Nesta cidade se casou com a filha de um erudito, Rabi Chaim Ibn Albalag e fundou um Beit Midrash, uma Casa de Estudo. Enquanto lá vivia, conheceu um grande cabalista, Rabi Shlomo Molcho, posteriormente queimado vivo pela Igreja Católica, em Mântua, na Itália, por suas "crenças heréticas". A personalidade carismática de Rabi Shlomo Molcho e seu martírio tiveram enorme influência sobre Rabi Caro.

Posteriormente, Rabi Caro deixou Adrianópolis, mudando-se para Nikopol, na Bulgária, onde conheceu o Rabi Shlomo Alkabetz, autor de Lechá Dodi, a mística e bela oração que cantamos na noite de sexta-feira, para acolher o Shabat (ver Morashá n· 35). O místico logo se tornou seu grande amigo e companheiro de estudos. Foi uma amizade que se manteria por toda a vida. Juntos instituíram o costume do Tikun Leil Shavuot - a recitação de versos de partes da Torá Escrita e da Torá Oral durante toda a noite de Shavuot.

Após a morte, ainda jovem, de sua esposa, Rabi Yossef Caro casa-se novamente com a filha de Rabi Yitzhak Salba. Decide viver na Terra de Israel. Lá chegando com a família, em 1536, estabelece-se em Tzfat, cidade que se tornou centro do misticismo judaico. Viveu o restante de seus anos nesta cidade, ganhando a vida como mercador de especiarias, pois jamais tirou seu sustento de suas atividades relacionadas à Torá.

Em Tzfat, Rabi Caro passou a integrar o Beit Din, o Tribunal de Justiça Rabínico, presidido por Rabi Yaacov Beirav, sábio renomado. Fundou também uma ieshivá onde lecionava, tendo muitos discípulos. Entre os mais destacados incluíam-se Rabi Moshe Alshich, Rabi Moshe Galanti e Rabi Moshe Cordovero, pai do estudo da Cabalá, conhecido como o Ramak .Com o falecimento do Rabi Beirav, assumem a direção do Tribunal Rabínico de Tzfat o Rabi Yossef Caro e Rabi Moshe de Trani, o Mabit.

Foi sob a liderança de Rabi Caro que o Beit Din de Tzfat se tornou o Tribunal Central de Justiça Rabínica de toda a Terra de Israel e até mesmo da Diáspora. Isto significa que não havia assunto de importância para o mundo judaico que não fosse levado à sua atenção e a de seu tribunal. Suas sentenças eram aceitas como a palavra final, determinante e conclusiva. Mantinha uma volumosa correspondência com correligionários de todas as partes do mundo.

As lideranças judaicas mundo afora buscavam sua opinião sobre a Lei, endossando-as e as aplicando em suas respectivas comunidades. Rabi Yossef Caro foi líder indiscutível de toda a sua geração.

 O Beit Yossef e o Shulchan Aruch

A maior contribuição do Rabi Caro ao judaísmo foram os tesouros escritos que deixou. Seu primeiro trabalho de destaque, intitulado Kessef Mishná, constituía uma fonte de referências para a extraordinária obra de Maimônides sobre a Lei Judaica - o Mishnê Torá. Aos 34 anos, idade prematura face à responsabilidade da tarefa, Rabi Yossef Caro começou a escrever seu trabalho monumental - Beit Yossef, a Casa de Yossef. Tamanho é o respeito por esta obra em meio ao povo judeu, que à pessoa dele comumente se referem como o "Beit Yossef" ou HaMechaber1 - O Autor.

A obra Beit Yossef é o Shulchan Aruch em forma não abreviada, isto é, em sua totalidade. Trata-se de um completíssimo comentário sobre a obra de Rabi Yaacov ben Asher - Arba Turim, os Quatro Pilares - um verdadeiro compêndio de sentenças e pareceres jurídicos sobre a Halachá. O Arba Turim (conhecido como Tur) é uma obra de quatro volumes. O primeiro deles, intitulado Orach Chaim, contém as leis que regem o nosso cotidiano: os mandamentos sobre as orações, o uso dos tefilin, o Shabat, as festas sagradas, entre outros. O segundo volume, Yorê De'á, versa sobre as leis de cashrut e pureza ritual. O terceiro, Even Ha'Ezer, traz as leis do casamento e divórcio e similares. O último volume, Choshen Mishpat, contém as leis judiciais, que envolvem testemunhas, juízes, propriedade, heranças e outros.

O propósito do Rabi Caro ao escrever um código definitivo sobre nossa Lei era unificar o povo judeu através da solução de disputas e ambigüidades quanto ao entendimento e à aplicação dos Mandamentos Divinos expressos na Torá. Foram necessários vinte anos para que ele terminasse a obra Beit Yossef. Ele o fez em Tzfat e a mesma foi aceita em praticamente todo o mundo judaico como referência suprema sobre a Halachá - a Lei da Torá.

O Beit Yossef foi publicado no ano de 1542, mas Rabi Caro continuou a editá-lo e refiná-lo durante os 12 anos seguintes. Acabou por publicar uma segunda edição da obra, incluindo o Tur. Sua Enciclopédia foi publicada em diversos volumes, com os mesmos títulos usados por Rabi Yaacov ben Asher.

A obra Beit Yossef era longa e rica em detalhes, a ponto de ser de difícil alcance para o homem comum. O mundo judaico carecia de um trabalho simples e de fácil absorção, no qual as profundezas de nossa Lei fossem apresentadas de uma forma que todos pudessem estudá-las e as compreender. Por essa razão, anos depois, o Rabi Yossef Caro pôs-se a escrever uma versão concisa e abreviada do Beit Yossef, que, quando pronta, continha as decisões finais da Halachá, sem, no entanto se deter nos incontáveis e diferentes pareceres e sem enumerar as fontes que embasavam a sua própria sentença. "O Autor" a chamou de Shulchan Aruch - "Mesa Posta", pois a obra continha todas as leis esmiuçadas, como se estivessem dispostas sobre uma mesa, diante dos olhos de qualquer judeu, de modo claro e objetivo.

Rabi Yossef Caro calcava suas determinações, via de regra, sobre os costumes e a opinião dos grandes Sábios sefaraditas. O líder da comunidade asquenazita, à época, Rabi Moshe Isserlis, o Ramá, não concordava com todas as decisões jurídicas ditadas pelo Beit Yossef. Assim sendo, ele próprio editou um Código de Lei Judaica para as comunidades asquenazitas - e o fez anotando todas as passagens em que o Shulchan Aruch ia contra os costumes e pareceres dos sábios oriundos das kehilot de Asquenaz. Tal controvérsia serviu apenas para fazer correr, ainda mais longe, a fama e a ampla utilização do trabalho do Rabi Caro, que se tornara o estatuto haláchico, nos aspectos em que o Ramá não discordava, até para as comunidades asquenazitas. Finalmente, em 1578, os pareceres do Ramá foram adicionados ao Shulchan Aruch, em uma obra publicada em Cracóvia, na Polônia. Tornava-se, assim, ainda que editado, o Código Oficial de Lei Judaica de todas as comunidades judaicas asquenazitas, no mundo. E, com isso, o Rabi Yossef Caro deixava sua marca gravada em sua geração e em todas as gerações de judeus que se seguiram, sendo sua obra aceita, por nosso povo, como Dvar Hashem - a Palavra de D'us. 

legado do Beit Yossef

Até o último de seus dias, o Rabi continuou imerso no estudo da Torá, escrevendo importantes tratados, e à frente do Tribunal Rabínico de Tzfat. Ascendeu ao Mundo da Verdade no dia 13 de Nissan de 5335 (1575 desta era), aos 87 anos de idade, deixando enlutado todo o povo judeu. Sua dedicação à Torá e em especial à Halachá consumiram toda sua vida. Deixou este mundo em meio a uma responsa, uma consulta sobre uma Lei. Na página em branco que deixou, seu filho escreveu: "Neste ponto, o Mestre, de Abençoada Memória, deixou a página em branco, ainda por terminar. Ele a teria preenchido, tinha as respostas, mas foi convocado para a Academia das Alturas". "O Autor", HaMechaber, foi enterrado entre vários outros Tzadikim como ele, na sagrada cidade de Tzfat. Desde seu falecimento até os dias de hoje, perdeu-se a conta dos judeus que visitaram seu túmulo, lá orando e rogando que ele interceda, em seu favor, perante o Eterno.

Rabi Yossef Caro foi, sem sombra de dúvida, uma das almas mais ricas e profundas que já habitaram nosso mundo. O seu legado ao judaísmo e ao nosso povo é eterno e quase inigualável. Sua obra foi considerada - e ainda o é - o mais confiável compêndio da Lei Judaica.  

Traduzido por Lilia Wachsmann                     

       Carta Aberta sobre a Situação dos Anussim

      Fonte: www.nbaianusim.org 

Nos últimos anos falamos extensivamente sobre a situação dos Anussim, pessoas que acreditam que sejam descendentes daqueles convertidos forçadamente sobre o furor da Igreja Católica em Portugal e Espanha durante os séculos XIV e XV.

Anteriormente católicos, estão agora em números moderados a afirmar que muitos de seus antepassados foram judeus, e sem dúvida muitos, mas não todos foram. O crescimento e disponibilidade da internet em 1995 ajudou a informação a ser partilhada, e agora mais de dez anos mais tarde, existe uma explosão de interesse. Mesmo que haja alguns sinceramente interessados em ajudar estas pessoas aprender acerca do judaísmo, existem outros que esperam nas sombras do mundo judaico para os enganar.

Estas pessoas são parte de uma rede, conhecem-se uns aos outros. Todos sabem o que cada um faz. Estas pessoas, a maioria indivíduos mal intencionados, lucram à custa daqueles cujos antepassados foram vitimados há centenas de anos.

Descendentes dos Anussim estão hoje buscando ajuda. Muitos desejam saber tudo sobre o que é um judeu e como se tornar um judeu.

Aqueles que ajudam os Anussim dividem-se em dois campos, os que querem ajudar porque acreditam que eles precisam de ajuda e têm que ser ajudados. E aqueles que ajudam porque aconselhando-os pode ser que dê lucro.

No primeiro grupo estão sociedades como Shavei Israel, Chabad Lubavitch e indivíduos bem conhecidos como Rabino Moshe Otero em Miami, Moshe Lopez em Orlando e outros pelo mundo afora. No segundo grupo existem indivíduos extremamente manhosos, eles estão “trabalhando com os Anussim” por razões menos honráveis.

Claro que eu não posso nomear nomes, a nossa sociedade politicamente correta não me permite o fazer, mas posso vos dizer aquilo que eles fazem. Aquilo que eles fazem é vender judaísmo em troca de dinheiro. Eles o vendem a pessoas que são sinceras em espírito, mas ignorantes em conhecimento. Eles o vendem aos Anussim. Conversão ao judaísmo mudou de algo baseado na Torá e Mitzvot à prostituição. Caindo num buraco negro “se me pagares, eu te dou o que queres”.

Conversão ao judaísmo está agora até disponível eletronicamente. Existem programas de estudo em casa, organizados sobre a estrutura do Judaísmo Reformista (Reforma). Os candidatos estudam em casa e uma vez que se sintam preparados para se tornarem judeus, voam até um hotel em Miami, onde em apenas oito horas estudam com um “rabino” ética judaica, orações, bênçãos, tradição, costumes, valores e o holocausto. O candidato então escolhe o seu nome hebraico, caminha até à praia mais próxima para a imersão no Mikveh e instantaneamente são “judeus”.

Apenas oito horas com o “rabino” e se tornam “judeus”. Assim que se secam estes  judeus podem viajar ao prédio da Federação Judaica em Biscayne Boulevard e pedirem para fazer Aliah. Isto não é um exagero da nossa parte. Este programa de conversão na internet é apenas um em muitos.

Outro programa de conversão existe onde o candidato se encontra vinte vezes com o “rabino” e paga uma quantia de $125. Com isto, eles recebem 30 minutos de aula com a mulher do rabino que ensina hebraico básico em 30 minutos. Com $125 eles podem comprar legalmente a cidadania israelense.

Outro “rabino” um que é bem conhecido no meio dos Anussim, oferece o seu sistema de conversões em viajem.  Ele viaja a vários países, Equador, Honduras, El Salvador, Colômbia, Guatemala, Costa Rica e Panamá para converter os anussim. Ele aceita pessoas que digam que tem raízes judaicas, “educa-os" e entrega em suas mãos um certificado depois de receber o dinheiro ou o cheque.

A partir de fevereiro de 2002, qualquer um que faça um destes programas de conversão que descrevi é considerado judeu pelo Supremo Tribunal Israelita. Depois de atender este programa de “conversão” eles podem solicitar ou exigir e são legalmente abrangidos pela lei que diz: qualquer judeu tem o direito de viver em Israel. Estas pessoas têm o direito a uma passagem de avião de graça, podem mudar-se para Israel onde receberão benefícios financeiros por até onze anos.

Mesmo assim aquelas pessoas que recebem estas pseudos “conversões” terão imensos problemas no futuro. Elas terão problemas com Bar-Mitzvá para seus filhos, casamento e muitos outros itens. Elas continuarão às margens da sociedade judaica, porque elas NÃO têm uma conversão legítima. Se os anussim querem retornar esta é a forma errada de o fazer.

Por que é que um fluxo de muitas pessoas vêem de países latinos pobres reivindicando que são judeus? Porque enquanto uns são mesmo descendentes de judeus, outros apenas querem aproveitar a oportunidade para mudar-se para um país moderno e obter os benefícios que lhes serão dados numa bandeja de prata.

O fato é que esses programas existem. Os “rabinos” que convertem os anussim (ou os retornam, como gostam de dizer) ao judaísmo, desenvolveram um modelo fora da estrutura Halachica (Lei Judaica), onde lucram com as conversões.

Klal Israel, a Nação de Israel, deve e têm que receber todos os “Gerei Tzedek” (Conversos Justos). Mas assim como os conversos têm a responsabilidade de ser sinceros, os seus professores têm que ser membros da comunidade judaica autorizados, não vultos noturnos que mostram identificações que diz “Rabino” e assinam documentos reconhecendo aqueles que lhe pagam, como judeus.

Membros da comunidade ortodoxa devem estar vigilantes e não se deixarem enganar por pessoas que se intitulam “Especialistas dos Anussim”.   

Programa Israelense contra a Pobreza no Brasil

Por: David Brinn

 Apesar de suas grandes diferenças geográficas, Israel e o Brasil têm muito em comum quando se trata de desenvolvimento. De acordo com o Prof. Rafi Bar-El, um dos maiores especialistas mundiais no desenvolvimento econômico regional, essas semelhanças permitiram que sua equipe de pesquisadores israelenses ajudassem o estado do Ceará a quebrar seu ciclo de pobreza.

    Desde 2000, Bar-El, chefe do Departamento de Políticas Públicas e Administração da Universidade Ben Gurion (BGU), lançou um programa ambicioso financiado pelo Banco Mundial, para aumentar o desenvolvimento regional e alterar o modo que o governo e seus cidadãos interagem.

    O Ceará, com uma população de oito milhões de habitantes, está localizado na costa nordeste do Brasil. Olhando para sua capital Fortaleza - com dois milhões de habitantes - pode se ter a impressão de que tudo vai bem. Mas, apesar da economia do estado ter desenvolvido rapidamente nos últimos anos, esse "boom" não fez nada para reduzir a pobreza nas áreas rurais.

    "Durante a última década, o Ceará alcançou crescimento econômico, mas a pobreza permaneceu no mesmo patamar. Enquanto a economia crescia, o povo continuava pobre", Bar-El declarou ao site ISRAEL21c, se referindo a alguns fatores.

    Como Israel em seus primeiros anos, a população rural do Ceará foi prejudicada pelos desenvolvimentos tecnológicos que exigiram menos horas de trabalho para produzir colheitas maiores, de acordo com Bar-El. A migração resultante dos trabalhadores desempregados para as cidades em busca de trabalho, apenas aumentou a pobreza e resultou em uma super população urbana.

    Bar-El e sua equipe, incluindo a Dra. Dafna Shwartz, Diretora do Centro Bengis de Empreendimentos e Administração de Alta Tecnologia da Universidade Ben Gurion, trabalhou em uma série de projetos de desenvolvimento familiar em Israel, e participaram também no plano master de longo prazo "Israel 20/20".

    Mas não foi apenas a reputação de Bar-El que o envolveu com a reabilitação do Ceará, foi seu passado.

    Durante a década de 70, Bar-El esteve no Brasil pesquisando os problemas da industrialização rural. "Aconteceu que uma das pessoas com as quais trabalhei naquela época e mantive contato se tornou o Secretário de Desenvolvimento no governo em 2000. E porque uma de suas prioridades era resolver o problema da pobreza, ele entrou em contato comigo", ele declarou.

    "Após visitar e assessorar o problema, eu fiz um programa focalizando o desenvolvimento regional, com ações específicas a serem tomadas em termos de educação, auxílio a pequenos negócios, suporte à tecnologia e desenvolvimento urbano".

    O objetivo máximo? Conseguir o crescimento econômico sem aumentar a desigualdade no processo.

    Depois de uma reunião com oficiais do Banco Mundial, e especialistas do MIT que tinham suas próprias idéias em como lidar com a situação - um encontro com Schwartz descrito como "intenso", o plano da equipe de Israel foi adotado, e o financiamento obtido.

    "Eu montei uma equipe inclusive a Daphna, e colocamos o plano em ação", Bar-El disse, e acrescentou que desde 2001, ele tem viajado uma média de quatro vezes ao ano para o Ceará, incluindo uma visita recente de dois meses.

    Os resultados de acordo com Schwartz, são como a noite e o dia.

    "O governo do Ceará adotou o nosso plano totalmente. Ele mudou a atitude do governo e do povo. Eles mudaram seu orçamento para alocar uma quantia específica para a periferia, e também indicaram um Secretário para o Desenvolvimento Regional (um cargo) que não existia antes", ela declarou ao site ISRAEL21c.

    Além do mais, foram estabelecidos nove conselhos regionais - compostos de 50 líderes econômicos, sociais e políticos - os quais se encontram regularmente e avançam as propostas que o grupo israelense propõe.

    Em um nível menor, Bar-El listou um número de realizações que ajudaram o povo do Ceará.             Prof. Rafi Bar-El

    "Construímos um programa de suporte para negócios rurais pequenos e afastados - essas pessoas não apenas não sabem o que pedir, mas também nem sabem pedir. Estabelecemos um programa de reorganização urbana e outro para melhorar a tecnologia. Em três dessas regiões foi criado um cargo, como o de "Cientista-chefe", que ajuda os negociantes e industriais a melhorarem a tecnologia e criar um link entre as atividades econômicas, universidades e outras instituições", ele disse.

    Mas a parte mais importante de todas essas iniciativas e programas é que a desigualdade econômica que determinou o estabelecimento dessa iniciativa está sendo retificada. Bar-El disse que a avaliação que tem sido feita e que será publicada esse mês aponta para um grande sucesso no programa.

    A pobreza e desigualdade econômica diminuíram - mais rapidamente do que nos outros estados brasileiros. Houve também um aumento econômico e um fechamento das lacunas na área de educação. "Ambos os indicadores macro e sociais, apontam para o fato de que o estado realmente conseguiu uma situação melhor do que tinha alguns anos atrás", ele declarou.

    Bar-El também declarou que as iniciativas devem continuar para que a região prospere. Mas ele está satisfeito que o trabalho de sua equipe está gradativamente diminuindo.

    "Nós disparamos o gatilho, mas agora a responsabilidade é deles. Estamos apenas ajudando-os na avaliação, direcionamento e respondendo as perguntas. Mas é o governo que está encarregado agora. É uma situação feliz, quando seus filhos não precisam mais de você", ele declarou.

    Tanto Bar-El como Schwartz expressaram satisfação com a criação de uma ponte entre o povo e o governo do Ceará.

    "Alguns dos pequenos empresários disseram em sua avaliação que, pela primeira vez, eles sentiram um contato pessoal com seu governo - que seu governo está fazendo algo por eles", declarou Bar-El.

Schwartz acrescentou: "Estamos regularmente indo ao campo visitar as pessoas que precisam mais de auxílio. Foi gratificante ouvir de uma pessoa que 'o governo não apenas está fazendo algo por nós, mas nós mesmos estamos envolvidos e ajudando uns aos outros".

    O sucesso do Projeto Ceará - BGU (Universidade Hebraica de Jerusalém), inspirou outros governos estaduais a se aproximarem de Bar-El para iniciar programas semelhantes. Bar-El já está em conversações com outros estados do Brasil, e tanto a Tailândia quanto a Argentina estão interessados.

    Por um lado ele está ansioso por ajudar, mas Bar-El admite que tudo depende de financiamento. "É necessário que haja financiamento para que possa funcionar. No Brasil, tivemos sorte em conseguir apoio do Banco Mundial".

  

 A História dos Sobrenomes

  Amplamente divulgado na Internet

Os cognomes, apelidos, sobrenomes ou nomes de família já eram utilizados na antigüidade, os romanos possuíam um sistema próprio de distinguir uma pessoa de outra pelo nome e por outros apostos a ele.

Pela historia desse povo, julga-se que este sistema tenha surgido em épocas remotas e que já fosse de uso comum logo após o inicio da expansão do poderio de Roma, os romanos possuíam um sistema pelo qual identificavam no nome do indivíduo qual seu clã de origem, foi a primeira forma de se identificar um grupo familiar em especifico, porem, com a queda do Império Romano em 476 d.C. este sistema virtualmente deixou de existir, caindo em desuso.

Na idade média (476-1453) passou, pois, a vigorar tão somente o nome de batismo para designar, distinguir e caracterizar as pessoas. Fala-se em nome de batismo porque, na época da queda do Império Romano Ocidental, a península itálica já era praticamente toda cristã. Por outro lado, os povos invasores foram cristianizados em massa no período que se segue à desagregação do Império. O cristianismo se tornou um elemento aglutinador que aproximou todos estes povos.

O estabelecimento de vários povos estrangeiros introduziu uma grande variedade de nomes e palavras que paulatinamente foram sendo latinizadas, salienta-se que os povos estrangeiros não possuíam a tradição da sobrenominização das pessoas, fato este que influiu sistematicamente no abandono de tal costume.

O aporte de grande acervo de novos nomes, trazidos pelos povos invasores, principalmente germânicos, o abandono da sistemática latina de individualizar pessoas, a influencia do cristianismo que difundia os nomes de seus mártires e santos criaram uma confusão generalizada. Os nomes se repetiam com freqüência o que tornava difícil distinguir um indivíduo de outro.

Surgiu então a necessidade de se estabelecer uma modalidade para se distinguir um cidadão do outro, para tal finalidade foram criadas algumas formulas que auxiliavam em tal distinção.

Na verdade, não foram estabelecidas normas baixadas pôr autoridades, mas sim o surgimento de um modo espontâneo na pena do escrivão, no convívio social e na linguagem popular que inventava formas para distinguir os dez ou vinte Johannes (João) que viviam na mesma comunidade. 

Os primeiros registros do uso de sobrenomes familiares como hoje os conhecemos foram encontrados por volta do século VIII, ou seja, após o ano 701 d.C.

Na Inglaterra, por exemplo, só passaram a ser usados depois de sua conquista pelos normandos, no ano de 1066. Foi só no inicio do renascimento que os cognomes voltaram a ter aceitação geral.

No ano de 1563, o Concílio de Trento concretizou a adoção de sobrenomes, ao estabelecer nas igrejas os registros batismais, que exigiam, além do nome de batismo, que teria de ser um nome cristão, de santo ou santa, um sobrenome, ou nome de família.

Os locais de nascimento davam origem aos sobrenomes:

A maior parte dos sobrenomes que circulam no Brasil é de origem portuguesa e chegou aqui com os colonizadores. Alguns tinham origem geográfica, ou seja, no local em que a pessoa nasceu ou em que morava. Desta forma, Guilherme, nascido ou vindo da cidade portuguesa de Coimbra, passou a ser, como seus parentes, Guilherme Coimbra. Assim, também Varela, Aragão, Cardoso, Araújo, Abreu, Lisboa, Barcelos, Faro, Guimarães, Braga, Valadares, Barbosa e Lamas eram nomes de cidades ou regiões que identificavam os que lá nasceram, passando a funcionar, com o tempo, como sobrenomes.

Alguns desses sobrenomes, aliás, não se referem a localidades, mas a simples propriedades rurais onde um determinado tipo de plantação era privilegiado. Por exemplo, os moradores de numa quinta em que se cultivavam oliveiras passaram a ser conhecidos como Oliveira, o mesmo acontecendo com Pereira, Amoreira, Macieira e tantos outros.

As alcunhas, ou apelidos davam origem aos sobrenomes:

Outra origem de sobrenomes foram as alcunhas, ou apelidos, atribuídos a uma pessoa para identificá-la e que depois se incorporava a seu nome como se dele fizesse parte. É ocaso de Louro, Moreno, Guerreiro, Bravo, Pequeno, Calvo e Severo, por exemplo. Muitos nomes de família se originaram também de nomes de animais, fosse por traços de semelhança física ou de características de temperamento: Lobo, Carneiro, Aranha, Leão e Canário são alguns deles.

Os pais davam seu nomes aos filhos:

Vários sobrenomes de origem portuguesa / espanhola podem ser classificados como sendo um patronímico, pois tem sua origem no nome próprio do fundador deste tronco familiar. Por exemplo: Nunes é uma forma alternada de Nunez, o qual é o patronímico do nome Nuno.

Situação semelhante podemos observar em alguns sobrenomes ingleses quando estes terminam em "son", esta palavra significa "filho". Assim um nome como John Richardson significava, antigamente, simplesmente "João filho de Ricardo" ( John Richard's son ). O mesmo valendo para John Peterson, Peter Johnson, etc.

Veja abaixo uma lista com alguns sobrenomes comuns e seu correspondente paterno:  Antunes – origem em “António”; Alves ou Álvares - origem em “Álvaro”; Bernardes - origem em “Bernardo”; Diniz - origem em “Dionísio”; Domingues - origem em “Domingos”; Ferraz - origem em “Ferraci” (latim); Gonzáles - origem em “Gonzalo” (espanhol); Gonçalves - origem em “Gonçalo” (português); Guedes - origem em “Gueda”; Hernandez - origem em “Hernan”; Lopes - origem em “Lopo”; Martinez - origem em “Martin” (espanhol);  Martins - origem em “Martin” ou “Martino” (português); Mendes - origem em “Mendo” ou “Mem”; Nunes - origem em “Nuno”; Rodrigues – origem em “Rodrigo”; Ruiz - origem em “Rui”; Sanches - origem em “Sancho”; Soares - origem em “Soeiro” ou “Suário”; Teles - origem em “Telo”; Vasquez - origem em “Vasco”.

Sobrenome dos Cristãos Novos (antigos Judeus Ibéricos)

Quando os judeus foram obrigados a adotar a religião católica, desapareceram os Isaac, Jacob, Judas, Salomão, Levi, Abeacar, Benefaçam, etc., e ficaram somente nomes e sobrenomes cristãos. Tomaram nomes vulgares, sem nada que os diferenciasse da maioria dos cristãos velhos, a não ser por vezes a manutenção de algum sobrenome antigo judaico pelo qual o indivíduo era vulgarmente conhecido. Assim aconteceu com Jorge Fernandes Bixorda, Afonso Lopes Sampaio, Henrique Fernandes Abravanel, Duarte Fernandes Palaçano, Duarte Rodrigues Zaboca, etc.

É, portanto, falsa a idéia de que os cristãos novos usavam nomes de árvores como Nogueira, Pereira, Pinheiro Carvalho, etc., para distinguir-se. Estes já eram sobrenomes existentes e pertencentes a própria nobreza de épocas anteriores.

Nas listas de processados pelo Santo Ofício, por serem judeus ou cristão-novos, encontram-se milhares de nomes e sobrenomes genuinamente portugueses, causando mesmo estranheza que nomes hebraicos raramente sejam mencionados.

Analisando essas listas, nota-se que qualquer sobrenome português poderá ter sido, em algum tempo ou lugar, usado por um judeu ou cristão-novo. Não escaparam ao uso sobrenomes bem cristãos, tais como "dos Santos", "de Jesus", "Santiago", etc. Certos sobrenomes, porém, aparecem com maior freqüência, tais como "Mendes", "Pinheiro", "Cardoso", "Paredes", "Costa", "Pereira", "Henriques", etc. O de maior incidência, no entanto, foi o "Rodrigues".

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